Estiagem compromete lavoura do trigo
Sáb, 11 de Setembro de 2010 15:12    PDF Imprimir E-mail
Agronegócios

1109ChamadaOs 32 dias de estiagem em Londrina acabaram afetando a agricultura, principalmente o trigo, em período de colheita. Segundo o Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), nem a chuva que caiu no feriado de 7 de setembro, pôde evitar a redução da safra paranaense, que já chega à 5%, o equivalente a 150 toneladas.



 Poucas chuvas em agosto comprometem lavoura do trigo semeado em maio

Apenas 30,4 mm de precipitações foram registrados no mês passado


1109agricultura
Redução da safra já chega a 5% devido à falta de chuvas

Oscar Fujiwara

Especial para o Paraná Shimbun

A chuva não passou pela cidade de Londrina por 32 dias. Do dia 6 de agosto até 7 de setembro, os habitantes da cidade enfrentaram um tempo bastante seco e com temperaturas tão altas quanto as do verão. Estas condições climáticas também acabaram afetando a agricultura, principalmente o trigo, em período de colheita.

Na região Norte do Paraná a melhor época para o plantio do grão é compreendida entre o início de abril e os dez primeiros dias do mês de maio, de acordo com as recomendações da Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale. Como forma de prevenir doenças, chuvas na colheita e reduzir os riscos na lavoura, também é recomendado o escalonamento do plantio, no qual a semeadura não acontece de uma só vez, mas dividida em mais datas.

A partir do plantio, o trigo passa por três fases básicas – vegetativa, reprodutiva e maturação. Em média a planta atinge o seu desenvolvimento completo em 120 dias e cerca de 150 mm de chuva, bem distribuídos durante o ciclo da cultura, são suficientes para garantir uma boa colheita. A falta de precipitações em cada fase afeta de forma diferente o potencial de rendimento da cultura.

Caso a seca ocorra na fase vegetativa, na qual acontece a germinação das sementes, o perfilhamento(nascimento dos ramos) é afetado, com a consequente diminuição do número de espigas por metro quadrado. A falta de água neste período reduz a quantidade de nutrientes disponíveis para os perfilhos principais, que passam a absorver os nutrientes dos secundários, que acabam secando e morrendo. A escassez de chuvas na fase reprodutiva, início da reprodução dos grãos, provoca a redução do número destes por espiga. Já na fase de maturação, o que acaba sendo prejudicado é o crescimento dos grãos, com a redução de seu peso. De acordo Lauro Okuyama, pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), os estágios de perfilhamento e de formação de grãos são etapas que determinam o sucesso da lavoura, pois nestas são definidas a quantidade de espigas da safra e o número de grãos por espiga.

Os plantios realizados em abril não foram afetados pela estiagem, uma vez que, nos quatro meses seguintes às respectivas semeaduras, o acúmulo das precipitações resultou em quantias maiores do que 150 mm. “Muitos agricultores estão nos contando que estão fazendo colheitas muito boas”, lembra Okuyama. Contudo, as semeaduras realizadas em maio estão sendo afetadas pela falta de chuvas. Por exemplo, quem plantou após o dia 10 de maio viu a quantidade de chuvas diminuir e se distribuir de maneira desigual nos 120 dias seguintes. Quanto mais seco o solo, maior é a sua concentração de alumínio, e a escolha de variedades compatíveis com essa condição também é determinante para uma boa colheita.

A chuva que caiu no feriado de 7 de setembro foi tardia, e não pôde evitar a redução da safra paranaense, que já chega à 5%, o equivalente a 150 toneladas, segundo o Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). O Estado lidera a produção nacional de trigo e esperava colher, inicialmente, 3,1 milhões de toneladas nesta safra.

No mês de agosto as chuvas na cidade acumularam apenas 30,4 mm, muito abaixo dos 85 mm registrados no ano passado. Para o mês de setembro, a média histórica (levando em conta marcações feitas desde 1976) é de 122,7 mm de chuva, segundo informações do Sistema Metereológico do Paraná (Simepar).