Melhorias para a sericicultura paranaense
Sáb, 25 de Julho de 2009 06:30    PDF Imprimir E-mail
Agronegócios

Um projeto para revitalização e modernização da sericicultura do Paraná, além de outras melhorias, foi entregue ao secretário Valter Bianchini, durante o 27º. Encontro Estadual de Sericicultura, realizado em Congoinhas, no último dia 16. Segundo José Carlos Zaia, gerente da Câmara Técnica do Complexo da Seda do Paraná, o setor passa por algumas dificuldades mas a previsão para a próxima safra é de aumento da produção.


Projeto quer dar modernidade à sericicultura paranaense

Apresentação foi feita ao secretário de Agricultura em encontro de produtores realizado em Congoinhas

 

Vivian Fukushima
De Londrina

Apoiar e consolidar a sericicultura paranaense, recuperar os solos dos amoreirais, melhorar a qualidade dos casulos e aumentar a produtividade são alguns dos objetivos do Plano de Revitalização da Sericicultura como Alternativa para Agricultura Familiar do Paraná, apresentado no último dia 16, durante o 27º. Encontro Estadual de Sericicultura, realizado em Congoinhas. No evento, estiveram presentes 1,5 mil produtores de todo o Paraná, além de autoridades como o  secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Valter Bianchini, o diretor técnico do instituto Emater Ademir Antônio Rodrigues, entre outros.
Elaborado com a participação de 17 entidades da cadeia produtiva, o plano contempla também o objetivo de servir na diversificação agrícola, visando ocupar com qualidade a mão-de-obra familiar e proporcionar mais uma fonte de renda na propriedade rural. A sericicultura é a arte de criação do bicho-da-seda e está intimamente relacionada com a cultura da amoreira e criação do bicho-da-seda (casulo) que dará origem ao fio de seda.
Segundo José Carlos Morosini Zaia, gerente da Câmara Técnica do Complexo da Seda do Paraná, foi entregue ao secretário de Agricultura uma proposta para revitalização e modernização do setor. “Mas, mesmo com a modernização, a idéia é aproveitar a mão-de-obra familiar e não substituí-la”, afirma.
Além disso, o setor propôs 20 itens que somados apresentam o valor total de R$759 mil. Dentre os pontos estão a criação de uma política estadual para implantação do setor de tecelagem como forma de agregar renda à seda e que impulsione um novo mercado consumidor; parceria com as universidades para implantação e adequação de laboratórios de análises de doenças do bicho-da-seda, incentivo aos grupos de pesquisa das raças e criação de curso superior nas ciências agrárias com ênfase na agricultura familiar; melhoria da fertilidade dos solos e introdução de novas variedades de amoreira, com apoio do Iapar; renovação de áreas antigas; promoção de novas máquinas e equipamentos para colheita, desinfecção e limpeza, com linha de baixa potência dentro do Programa Trator Solidário; instalação de unidades demonstrativas didáticas de produção nos 11 colégios agrícolas; promoção de consórcios tecnológicos com urucum, erva mate, café, leite, avicultura, madeira; capacitação de técnicos e produtores; material promocional comemorativo aos 50 anos de sericicultura paranaense, entre outros.
De acordo com Zaia, o Paraná continua como o maior produtor nacional, com 6,5 mil agricultores espalhados em 229 municípios, sendo Nova Esperança a maior produtora do estado. “O Paraná é responsável por 92% da produção nacional, sendo o Brasil o quarto produtor mundial”.
Mas, apesar dos números, o estado passa por algumas dificuldades.
Hélio Noboru Mizokoshi, diretor da Fiação de Seda Bratac, de Londrina, explica que 85% da produção é destinada à exportação e a relação com o mercado internacional passa por algumas dificuldades.
“Muitos produtores que trabalham com outras culturas, como a soja, por exemplo, tiveram prejuízos mas o mercado reagiu, e a gente não teve essa compensação. Em função disso, os preços não evoluíram e muitos produtores acabaram migrando para outras áreas”, diz.
Mesmo assim, Mizokoshi afirma que os preços para a próxima safra (agosto/2009-julho/2010), tendem a aumentar. “A partir de outubro, novembro já começaremos a sentir as melhorias”, diz.
Zaia também está confiante. “Esperamos um aumento de 5% na produção devido a entrada de novos produtores ao setor”, explica o gerente da Câmara.
Na safra 2007/2008 o Paraná contava com 5.889 sericicultores, envolvendo diretamente 19.404 pessoas na criação do bicho-da-seda em 6.468 barracões e cultivando 14.799 hectares de amoreira, em 239 municípios., com a produção total de 5.708 toneladas de casulos verdes, que resultaram em 857.057 quilos de fio de seda, exportados por US$ 25,7 milhões e internamente gerando o valor bruto da produção de R$32,9 milhões.
Os dados da última safra (agosto/ 2008-julho/2009) ainda estão sendo computados pela Câmara Técnica.