O atendimento preventivo a idosos nikkeis em municípios onde a Aliança/Liga possuía filiais, na década de 80, fez com que hoje, o grande homenageado pelo Conselho Regional de Medicina fosse o gineco-obstetra Frank Ogata, de Londrina. O médico é o primeiro nikkei a receber a Medalha de Lucas em reconhecimento ao trabalho social e humanitário.
“O mérito é de toda a equipe”
Dr. Frank Ogata é o primeiro nikkei a ser homenageado pelo CRM-PR com comenda em reconhecimento ao trabalho social e humanitário
Foto: Divulgação

Há oito anos Frank Ogata atende de graça
Da Redação
O médico Frank Ogata – gineco-obstetra, de Londrina, foi homenageado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Paraná (CRM-PR) recebendo junto com Ehrenfried Wittig - neurologista, de Curitiba, a Medalha de Lucas – Tributo ao Mérito Médico. “Eu recebi uma ligação do presidente do Conselho Regional dizendo que fui escolhido para ser homenageado. Eu não sabia o porquê já que não fiz nada de extraordinária. Na hora da entrega da medalha eu disse que eu é quem estava recebendo, mas o mérito era de toda a equipe que trabalhou comigo”, conta Ogata. A entrega ocorreu em Curitiba no dia 15 de outubro como parte das comemorações do Dia do Médico (18 de outubro). A solenidade também entregou a 53 profissionais que completaram 50 anos na atividade o Troféu da Medicina e o Diploma de Mérito Ético-Profissional.
Medalha de Lucas
Essa honraria foi instituída em 1996 pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Paraná, inspirada no evangelista São Lucas, Patrono do Médico. A comenda reconhece médicos que tiveram destaque em sua atuação em prol de causas sociais e humanitárias. Até hoje, somente nove profissionais receberam essa homenagem, sendo o Dr. Frank Ogata o primeiro nikkei e segundo médico de Londrina a ser homenageado com a Medalha.
Frank Ogata conta o quão gratificante é o trabalho voluntário. “Eu ainda viajo de vez em quando para encontros de terceira idade e muitas pessoas que foram atendidos por nós, vem conversar e agradecem, “graças a vocês eu continuo vivo”, “graças a vocês eu tive câncer, vocês descobriram e hoje eu estou bem”. Isso traz uma satisfação muito grande”.
Trajetória de dedicação
Frank Ogata, de 82 anos, natural de Paraguaçu Paulista, interior do estado de São Paulo dedicou sua vida à medicina e ao trabalho voluntário. Prestou vestibular para medicina no Rio de Janeiro em 1949, formando-se em 1955, e trabalhou dois anos na faculdade como assistente de ginecologia. Foi dessa maneira que o médico interessou-se pela área de gineco-obstetrícia. “Naquele tempo, o médico não era especialista. O médico era médico. Só depois que comecei a fazer somente ginecologia”, explica Ogata. Em 1957 mudou-se para Uraí e depois, em 1962, para Londrina, onde está até hoje. Ogata foi um dos primeiros ginecologistas nikkei a atuar na cidade londrinense.
Alguns anos após a mudança, Frank recebeu uma proposta. “Na década de 80 eu era diretor do Departamento médico da Aliança Cultural. Nessa ocasião, o sr. Miyoshi Egashira (tradutor) trouxe a ideia de fazer atendimento preventivo aos idosos da colônia japonesa. Ele foi o mentor desse atendimento”. Os trabalhos eram realizados de uma a duas vezes por mês, nos municípios onde a Aliança Cultural Brasil Japão do Paraná possuía filiais, menos em Curitiba, Ponta Grossa, Paranaguá e Guarapuava.
O chamado Atendimento Preventivo Itinerante aos Idosos da Colônia Japonesa começou em condições precárias e com poucos médicos. Porém a demanda foi aumentando havendo a necessidade de recrutar mais médicos, inclusive especialistas em determinadas áreas. A ajuda da equipe foi fundamental para o funcionamento dos atendimentos e Ogata faz questão de lembrar o nome de alguns deles: Luiz Carlos Miguita, Issamu Onishi, Arilson Morimoto, Gilberto Sonoda, Tomoe Ito Takahashi, Luzia Ochiro, Milton Ogawa, Nobuaqui Hasegawa, Silvio Onori, Koki Kitahara, Aurio Sinagawa e Paulino Matsuzaki. Fizeram parte do trabalho voluntário também, mais de 50 estudantes.
“O serviço foi aumentando e necessitamos de mais ajuda, foi quando pedimos ao governo japonês um auxilio para custear esse serviço voluntário. A JICA do Japão, através do consulado, nos cedeu um microônibus equipado com eletrocardiograma, aparelho de ultrasson, de endoscopia e aparelhos para fazer exames laboratoriais. Foi quando cresceu em meados de 90, 92”, conta o médico. Frank Ogata coordenou o atendimento até os seus 80 anos de idade.
E, há oito anos, o ginecologista não cobra mais pelas consultas. “Ainda o pessoal me procura, aí eu venho atender”. Desse modo, o médico atende os antigos pacientes, pessoas da colônia e os idosos da Vila Brasil. E Ogata dá a explicação, “a medicina sempre evolui e depois que eu tive um câncer, há 10 anos, fui operado e fiquei parado dois anos. Eu acho que dentro desse tempo eu regredi na medicina. Então achei que não era justo cobrar pela consulta. Tudo que eu tenho hoje é graças a medicina e com o que eu tenho hoje dá pra eu sobreviver, então, não preciso mais cobrar. Meus filhos já estão todos formados, casados, e não vão precisar mais de mim. Então pra que ganhar mais dinheiro, não é?”.