| Efeito inverso: filhos de dekasseguis sofrem para se adaptar com a cultura brasileira | ||||
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Segundo a pesquisdora Estela Okabayashi, o problema deve ser encarado com seriedade e com muita atenção. O ideal é que a família esteja em contato com os professores para conhecer o desenvolvimento dos seus filhos na escola
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Mayhara Nogueira “Meu filho está com depressão e já teve desejos de suicídio”, conta a Pedagoga S.O., que prefere não se identificar, a respeito das dificuldades de seu filho de 16 anos, em se readaptar no Brasil. A família retornou do Japão em dezembro do ano passado, depois de uma temporada de seis anos. Embora S.O tenha educado seu filho em escola brasileira, o choque cultural, ainda sim, foi grande. “Ele tem dificuldade de fazer amigos e se socializar, estou fazendo de tudo para resgatar a alegria de viver do meu filho”, comenta a pedagoga, que já procurou especialistas para auxiliá-la neste processo. Para a pesquisadora e professora Estela Okabayashi Fuzii, diretora do Núcleo de Estudos da Cultura Japonesa da Universidade Estadual de Londrina e diretora do Departamento Dekassegui da Aliança Cultural, a educação dos filhos de dekasseguis tem sido motivo de preocupação, tanto para os pais quanto para as escolas. Segundo estudos realizados pelo Núcleo Regional, no ano passado, foi constatado que Londrina e região possuem aproximadamente 40 escolas, entre particulares e estaduais, com crianças vindas do Japão. “É uma situação que gera muito sofrimento e deve ser vista de perto, são muitas crianças em processo de adaptação que precisam de uma atenção especial, porque estão completamente alienadas da cultura brasileira”, comenta Estela. Ela afirma também que o processo não envolve o problema só de cunho intelectual, mas também social e cultural. “Dependendo do perfil da criança, ela vai se fechando para o mundo, se isola fisicamente ou se torna muito agressiva”, conta. Estela, que também é responsável por um projeto de apoio educacional aos filhos dos dekasseguis, ainda em fase de pesquisa, lembra que a família deve ficar atenta aos sinais no comportamento da criança ou adolescente. “O problema deve ser encarado com mais seriedade do que se imagina. Alguns pais acham que as queixas dos filhos são passageiras. Na verdade, é necessário que os responsáveis estejam em contato constante com os professores para supervisionar o desenvolvimento dos seus filhos na escola”, conta a professora que aconselha. “Ao menor sinal de problema, procure um especialista”. O projeto em questão visará a inserção dessas crianças na escola e na sociedade. “A ideia é montar um centro de socialização, com ajuda de diversos profissionais, cuja função é entender o individuo como um todo, como um ser que está ingressando em uma nova cultura”, explica Estela.
Adaptação positiva - Larissa Shimazu, de 10 anos, nasceu no Japão e foi criada com a educação nipônica, mas precisou retornar, recentemente, com a família para o Brasil e se adequar aos novos costumes. “Quando chegamos, Larissa não falava nada do português. Procuramos especialistas que nos orientou esperar dois meses antes de colocá-la na escola, para que ela se situasse a nova realidade e se familiarizasse com a cultura”, explica Lika Shimazu, a mãe da menina. Apesar dos conflitos com a língua recém adquirida, a personalidade da menina, a escola e a família foram essenciais para que ela conseguisse se acostumar rapidamente com os hábitos brasileiros. “Primeiramente, ela tem uma grande facilidade de fazer amizades, e a vontade de brincar e interagir com as outras crianças fez com que ela aprendesse rapidamente algumas palavras. Mas a escola, de influência japonesa, também deu muita segurança para que ela se soltasse mais”, conta a mãe, que aconselha: “Acho que os pais que estão nessa situação devem estimular as crianças a brincar, conhecer novos amigos e realizar diversas atividades sociais”.
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