Histórias e lembranças num só lugar
Seg, 19 de Dezembro de 2011 19:28    PDF Imprimir E-mail
Comunidade
A Rua Sergipe foi reduto de imigrantes japoneses entre os anos 1940 e 1970. A influência pode ser vista em casas comerciais e edifícios que foram construídos na época e ainda resistem ao tempo e à concorrência.

Memórias de uma Sergipe japonesa

A rua, que já foi reduto de comerciantes japoneses entre os anos 1940 e 1970, preserva em detalhes pouco percebidos e nas recordações dos que ainda estão lá, momentos que marcaram esse período em Londrina


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O edifício Tókio, construído nos anos de 1950 com 13 andares e um dos únicos a contar com elevador na época, é lembrado como um dos primeiros arranha-céus de Londrina.


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No cruzamento com a Avenida São Paulo, o destaque está no letreiro do banco com grafia oriental. Antigamente, a instituição bancária era reconhecida como de atendimento especial aos japoneses e seus descendentes.


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A lembrança da antiga Sergipe encontra-se viva na memória de Tokiko Ajimura e seu filho. “A Rua Sergipe de Londrina era considerada a Galvão Bueno de São Paulo”.


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“Antigamente os produtos odontológicos não eram descartáveis como são hoje e era fácil contrair infecções”, conta Edna Tanaka.


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A Tricolândia cresceu e hoje é dona de três estabelecimentos, incluindo a Fuji Center.

 

Da Redação

É impossível falar do centro de Londrina sem citar a famosa Rua Sergipe, cuja história teve início juntamente com o nascimento da cidade, devido à sua localização estratégica como via de passagem de moradores e viajantes. No entanto, o que pouca gente sabe é que a vinda dos primeiros imigrantes japoneses para Londrina contribuiu para a abertura das primeiras casas comerciais da rua.

Aliás, a presença significativa dos nipônicos, principalmente nos anos 1940 e 1970, fez com que a rua ganhasse a fama de “Galvão Bueno de Londrina”, nome da principal rua comercial do Bairro Liberdade em São Paulo.

A influência exercida na época deixou ricas construções que levam até hoje o sobrenome de seus proprietários e nomes que fazem referência ao Japão, como edifício Tókio, Tanaka, Ohara e Nakano.

Devido ao crescimento da cidade, a Sergipe mudou seu perfil. Muitos tiveram que fechar as portas ou abri-las em outro local devido a concorrência das grandes lojas e pela não continuidade dos negócios pelos filhos. Porém alguns resistiram e continuam no mesmo lugar até hoje.

Histórias

O Bazar Ajimura, há mais de seis décadas no mesmo local, é uma das mais antigas e tradicionais lojas da Sergipe. Dona Tokiko Ajimura veio ao Brasil em 1929 e mudou-se para Londrina da década de 40. “Como havia várias mulheres na família, meu pai decidiu abrir um bazar, considerando um negócio próprio para o sexo feminino”, conta Tadamassa Ajimura, filho mais velho de Tokiko.

O Bazar foi aberto em 1948 como um espaço especializado em produtos de aviamento. “Apesar da terra vermelha encobrir as vitrines, que eram limpadas a cada cinco minutos, o comércio era sempre movimentado”, recorda Ajimura.

O estabelecimento ainda conserva as suas estantes de madeira pesada e produtos tradicionais, mas com o tempo sentiu-se a necessidade de diversificar, incluindo artigos de presentes. O volume de compradores diminuiu, mas segundo o filho, “a fidelidade dos clientes continua, sendo que muitos são filhos e netos daqueles que compravam com a gente”. E quem vai à loja depara-se com um atendimento diferenciado, “nós procuramos oferecer um atendimento individualizado e com qualidade”, explica.

Outro estabelecimento tradicional da Rua é a Tricolândia que teve início em 1976 com Madalena Saruhashi. O primeiro endereço da loja em Londrina foi no número 1095 da Rua Sergipe, em funcionamento até hoje. O filho Sérgio conta que no início, as vendas se restringiam a artigos de corte e costura, mas com o mercado competitivo e os consumidores mais exigentes, a saída foi abrir lojas e realizar a segmentação. “Nos dias de hoje, é preciso se especializar em cada segmento para atrair mais clientes”, explica.

A Dental Tanaka também é um dos antigos estabelecimentos da Sergipe  que continuam no local até hoje. A loja foi aberta em 1958 com Fumio Tanaka, sendo a terceira dental a abrir portas na cidade. Especializada na venda de produtos odontológicos tem hoje à frente dos negócios em Londrina, Ana Tanaka e sua filha Edna. A mudança no interior do estabelecimento ocorreu com o aumento de produtos e a troca por itens descartáveis, tudo para acompanhar o crescimento da área odontológica. Já fora das estantes das brocas e sugadores, Edna recorda as alterações na Rua. “Lembro de muitos estabelecimentos que foram sendo construídos, da antiga ferrovia e da rodoviária”.

Cada mudança e melhoria ocorrida na Rua é acompanhada com atenção pelos comerciantes que consideram o local de trabalho como um segundo lar. O mais recente é o Projeto de Revitalização da Nova Sergipe. Esta ação inclui o alargamento da pista e a padronização de calçadas. “Tudo que traga melhoria à rua e aos clientes, é bem vinda”, comenta Tadamassa Ajimura.

A lembrança das dificuldades enfrentadas no início e a satisfação encontrada em ter um negócio próprio são confundidas com as memórias pessoais de cada um que participou da história da Sergipe. “A rua possui o significado da própria vida dos meus pais e também das pessoas que os acompanharam”, concluem os filhos que hoje tomam à frente os negócios de seus pais.