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De 1979 a 1985, Aritomo Sugimoto viveu a dura realidade dos garimpeiros à procura de ouro na Serra Pelada, no Pará, e lá escreveu um diário. Experiência de vida foi contato no livro “Garimpeiro Taikenki”, lançado em 2010, em japonês.
Experiência de vida é contada em livroAritomo Sugimoto passou cinco anos nos garimpos de Serra Pelada, no Pará, e contou em detalhes o que viveu por lá. Livro ainda é encontrado apenas em japonês Fernando Cremonez Vivian Fukushima
Brasileiros com mais de 30 anos provavelmente se lembram bem das imagens que retratavam a vida de garimpeiros na Serra Pelada, no Pará, durante a década de 1980. Do maior garimpo a céu aberto do mundo foram extraídas, oficialmente, 30 toneladas de ouro. A história da Serra Pelada começou em 1976, quando um geólogo do Departamento Nacional de Produção Mineral encontrou amostras de ferro no sul do Pará. Em 1979, um garimpeiro achou ouro no local. O ministro de Minas e Energia da época, Shigeaki Ueki, fez o anúncio oficial da existência do metal em Carajás. A partir de 1980 levas de migrantes se deslocaram para o Pará e ocuparam o garimpo, que pertencia à fazenda Três Barras. E um desses imigrantes era o japonês de Fukuoka Aritomo Sugimoto, que viera com a esposa para o Brasil em 1955, onde fixou residência em Londrina. “Tínhamos uma peixaria, alguns imóveis, mas um dia meu marido sonhou que encontraria muito ouro se fosse para o garimpo. Não tirou isso da cabeça até ir. Ele era muito corajoso”, afirma a esposa Chihiro Sugimoto. De 1979 a 1985 Sugimoto viveu a dura realidade dos milhares de outros brasileiros e imigrantes que sonhavam um dia enriquecer. “Parecia um formigueiro de tanta gente. Mas quase não havia japoneses”, conta ele. No entanto, segundo Chihiro, esse esforço não valeu a pena. “Perdemos muita coisa e o custo dele lá era alto”. Depois que retornou, Sugimoto decidiu ir para o Japão como dekassegui, onde ficou até 1996. Em seguida, morou em Praia Grande e desde 2010 está de volta a Londrina.
Com muito mais detalhes, a experiência de vida de Aritomo Sugimoto no garimpo na Serra Pelada é contada no livro “Garimpeiro Taikenki”. “Na época em que meu marido ainda estava lá, um professor japonês que fazia pesquisas na UEL ficou no pensionato que tínhamos. Depois eles se conheceram e continuamos mantendo contato. Há uns três anos ele veio para Londrina com a esposa passear e ficou sabendo que nos cinco anos em que esteve no garimpo, Sugimoto escreveu suas experiencias em um diário. Daí surgiu a ideia do livro”, conta Chihiro. “Garimpeiro Taikenki” , escrito apenas em japonês, foi publicado em 2010 e recebeu alguns prêmios como a menção honrosa do Prêmio Literário Nikkey 2011 e a homenagem ao autor feita pelo Bunkyo, de São Paulo. O livro ainda não está a venda.
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