| CASAMENTO INTER-RACIAL | ||||
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| Crônicas Nikkei | |||
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Toshio Icizuca Falar atualmente em casamento inter-racial – nikkeys com pessoas de outra raça – não tem sentido. No entanto, esse tema já foi motivo de muita discussão no passado, nas décadas de trinta a sessenta. Por isso, resolvi tocar nesse assunto, porém, sem polemizar. O que me levou a escrever sobre um tema quase ignorado pelas novas gerações de nikkeys foi uma longa mensagem que recebi do filho de um amigo meu de infância. Não o conhecia, ele me “descobriu” através do Simbun, quando falei a respeito de seu pai. Aliás, me agradou muito a forma com que me tratou, chamando-me de “tio”- não como “tio” vulgar usado erradamente pelos jovens -, o que me levou a ganhar mais um “sobrinho” de mais de quarenta anos. Ele fez um longo relato sobre a trajetória do seu pai, já falecido, que, ao se casar com uma pessoa que não era nikkey, enfrentou uma série de problemas com os pais, inclusive o corte de laços familiares e seu respectivo reatamento, vários anos depois. De fato, naquela época, raramente uma família japonesa aceitava pacificamente que seus filhos casassem com pessoas que não fossem da mesma raça. Se um casamento inter-racial ocorresse sem o consentimento dos pais, as relações familiares eram totalmente cortadas. Ou melhor, para se casarem, o noivo ou a noiva de origem japonesa, teria que “sumir do mapa” para que os pais não passassem a vergonha de ter um filho ou filha casado com um “gaijin” (estrangeiro). Na verdade, a oposição ao casamento inter-racial era mais exacerbada no interior, onde havia grandes colônias de japoneses que ainda cultuavam rigorosamente as tradições e costumes do país de origem; e mais tolerante O meu primeiro casamento – igualmente com “gaijin” - também ocorreu nessa época, porém, felizmente essas questões foram contornadas, talvez porque o meu irmão havia sido o precursor nessa história. Embora eles não demonstrassem abertamente, sabíamos que no íntimo a vontade deles era de que seus filhos casassem com nikkeys, principalmente por problemas de comunicação, visto que os imigrantes tinham enorme dificuldade em falar o nosso idioma. Para se ter uma idéia, tempos depois, quando meus filhos eram pequenos, a minha mãe me disse em japonês: “gostaria de conversar com eles, mas não consigo, a língua portuguesa é muito difícil”. Isso foi na década de setenta... Toshio Icizuca é engenheiro e escritor - Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
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