| OHASHI | ||||
|
| Crônicas Nikkei | |||
|
Toshio Icizuca O título desta crônica está escrito em linguagem usual no Japão, mas no Brasil o termo mais usado é simplesmente hashi, eliminando-se a letra “o” inicial. Os japoneses quando querem falar polidamente costumam acrescentar a letra “o” no início das palavras próprias e alguns adjetivos. Lembrei de escrever sobre o assunto ao pesquisar na internet e deparar com a palavra hashi, que é a denominação em japonês dos pauzinhos que os orientais usam para levar alimentos sólidos à boca. Ele tem origem na China, mas é usado no Japão, Coréia, Tailândia, Vietnã, Indonésia, e outros povos asiáticos. Existem vários tipos de hashis, de acordo com a finalidade do seu uso e materiais empregados na sua confecção. Os mais comuns são os de bambu ou de madeira, e são utilizados como talheres na mesa dos orientais, em algumas famílias de nikkeys, e também em restaurantes típicos de cozinha japonesa. Os hashis usados na culinária, chamados de saibashi, são maiores, cerca de trinta centímetros de comprimento, e são usados para manipular alimentos durante a fritura ou cocção. Geralmente são feitos de madeira, plástico ou metal. No caso de metal, a área de pega é feita em madeira, e são chamados de kinzokusei no hashi. Não sei quem foi o criador dos hashis de marfim, ou imitação desse material em plástico, pois eles são horríveis para manejar. Ainda bem que sumiram do mercado. Quando eu era criança e morava no sítio, em Londrina, havia um tipo de prova-brincadeira nos undookais do Tyuo-ku, chamado de mamehiroi, que consistia em catar grãos de soja com o hashi, e a pessoa que conseguisse pegar a maior quantidade de grãos em determinado tempo era considerada a vencedora. Não preciso nem dizer que as donas de casa sempre levavam vantagem, pois eram exímias em manejar os hashis. Falando em manejar os pauzinhos, existem muitos japoneses que não sabem usá-los corretamente. Incrível, mas é verdade. Eu mesmo, em viagens ao Japão vi isso várias vezes, e ficava admirado em ver os patrícios apanhando para comer com os pauzinhos. Antes de constatar esses fatos eu era muito crítico com os nikkeys que não tinham habilidade para fazer as refeições usando os hashis, mas depois passei a relevá-los. Pensando bem, no Brasil também existem muitas pessoas que não sabem usar os talheres corretamente. Aliás, poucas pessoas sabem manejá-los de acordo com as regras de etiqueta. Bem, vou parar por aqui antes que os leitores achem que sou exigente, esnobe ou elitista... Toshio Icizuca é engenheiro e escritor – Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
|












