Atum Gigante
Ter, 31 de Janeiro de 2012 16:28    PDF Imprimir E-mail
Crônicas Nikkei

*Toshio Icizuca

A notícia da venda de um atum gigante de 269 quilos no mercado de peixes de Tsukiji, em Tóquio, correu o mundo no início de 2012. Quem o arrematou foi o Grupo Kiyomura, que pagou cerca de R$ 1,3 milhão pelo peixe pescado nas águas de Oma, na província de Aomori, norte do Japão.O preço pago superou o recorde anterior que era de um peixe da mesma espécie capiturado em Hokaido, e vendido por cerca de R$ 780 mil.Isto em termos de mercado japonês, porque o recorde mundial ocorreu no ano passado em Hong Kong, e o valor do arremate por um peixe foi pouco acima dopreço pago pelo Grupo Kiyomura.

Para se ter uma ideia do tamanho do peixe, ele pode ser transformado em 10 a 12 mil sushis, se for bem aproveitado. Aliás, nada do peixe é perdido. Após a retirada da carne em postas, a cabeça, a carcaça eas nadadeiras terão outros destinos.

O fato curioso da história é que o preço pago pelo arrematador, cerca de R$ 5 mil o quilo, está bem acima do valor de mercado. A explicação do dono do Grupo, Kiyoshi Kimura, pode parecer estranha, mas não para o feliz comprador. Ele quer que a notícia sirva de incentivo para o povo japonês consumir mais sushis e sashimis,devido à queda dede aproximadamente 20 por cento em razão dos desastres econômicos e ecológicos nos últimos tempos.Se cada porção de peixe transformado em sashimi for vendida ao preço de custo, sairia por R$ 130, porém será vendida por apenas R$ 10, para efeito de promoção e incentivo ao consumo.

No famoso mercado de Tsukiji comercializa-sediariamente cerca de 2,4 mil toneladas de peixes e frutos mar vindos de todas as partes do mundo. É uma quantidade inimaginável para brasileiros que ainda consomem muito pouco esse tipo de alimento. Se bem que está mudando, haja vista a grande quantidade de salmão importado do Chile e o aumento de venda de pescados, principalmente vindos de criadouros, tanto de água salgada como de água doce.

Enquanto os ambientalistastentam proibir a pesca de atuns alegando que a espécie corre risco de extinção até o fim desta década, o Japão ignora o movimento, pois o atumgigante é muito valorizado por conter grande quantidade de toro – espécie de barriga gorda do peixe, de textura extremamente amanteigada. Além do mais o peixeé um dos principais alimentos do povo japonês, assim como arroz, algas do mar e legumes.

*Toshio Icizuca é engenheiro, sócio do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba.