| CINE TEATRO OURO VERDE | ||||
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| Crônicas Nikkei | |||
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Foto: Divulgação Toshio Icizuca Esta crônica não deveria estar neste lugar, pois não tem nenhuma relação com o Nikkei, assunto desta coluna. Entretanto, depois do terrível incêndio que destruiu um dos mais importantes patrimônios culturais de Londrina, não poderia deixar de registrar o que o meu coração de londrinense sentiu ao ler a notícia pela internet e pelos jornais. Em 1952, na época em que o Cine Ouro Verde foi construído, ele era uma das salas mais modernas do Brasil. A nova casa de projeção cinematográfica foi o símbolo de pujança da cidade, que crescia a olhos vistos impulsionados pelo “Ouro Verde”, como era conhecido o café, principal economia do Norte do Paraná. Na época, eu estava terminando o curso ginasial no Colégio Estadual e, como tinha intenção de cursar engenharia, passava várias vezes em frente à obra e ficava admirando as linhas modernas do prédio. Ainda me lembro que pouco antes fora construído o primeiro “arranha-céu” da cidade, o edifício “Autolon”, que fica ao lado do teatro sinistrado, que também fora motivo de minha admiração. Embora em janeiro do ano seguinte passasse a morar em São Paulo para prosseguir nos estudos, não deixei de assistir filmes na tela gigantesca do Cine Ouro Verde, que era o orgulho dos londrinenses. Quando os cinemas do Brasil entraram em decadência a partir do fim da década de setenta, soube que a UEL, a nova proprietária do prédio, transformara-o em teatro universitário, mantendo o nome “Ouro Verde”, e que em 1998 fora tombado pelo patrimônio histórico e cultural paranaense. Foi triste saber que o Teatro fora consumido pelo fogo, e que ao mesmo tempo muitas histórias bonitas também viraram cinzas e ficarão somente na memória de poucos londrinenses que acompanharam o progresso da cidade a partir da década de cinquenta. Soube que o governador Beto Richa garantiu a reconstrução do prédio e sua devolução como patrimônio à cidade, porém nunca será como antes, uma vez que a história será outra, será reescrita e virá chamuscada pelo triste acontecimento. Escrevi no começo que este assunto não tem nenhuma ligação com Nikkei, mas me enganei, tem sim. Lembrei-me de que Londrina é a segunda cidade do Brasil em população de nikkeis, justamente porque os imigrantes japoneses foram atraídos à cidade pela fama da terra rocha, onde o “Ouro Verde” (café) era sinônimo de esperança de dias melhores, e de ver seus filhos crescerem, estudarem, e prosperarem como cidadãos brasileiros. Toshio Icizuca é engenheiro, escritor, e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba.
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