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Quando criança, Hiseko Yoshihara ganhava manjus de sua mãe cada vez que cantava. Já adulta, para não acordar os filhos e o marido, entrava no guarda-roupa e soltava a voz. Hoje, é professora de canto e se prepara para disputar em Tókio, no Japão, a final do Viva Karaokê, um grande festival que contará com a participação de cantores do mundo inteiro.
Do manju à competições internacionais Quando era criança, Hiseko Yoshihara cantava para agradar a mãe. Hoje, canta e encanta a todos com sua voz em concursos nacionais e internacionais Vivian Fukushima
 Hiseko e seus troféus: “A música me deu tudo, até o marido” Vivian Fukushima De Londrina No dia 6 de setembro, em Tókio, no Japão, Hiseko Kubota Yoshihara, disputará a final do Viva Karaokê, um grande festival de karaokê aberto a todos os gêneros musicais cantados na língua japonesa. A grande final contará com a presença de cantores de todo o mundo e Hiseko representará o Brasil na categoria 50 a 70 anos, depois de ganhar a etapa brasileira do concurso, realizada em São Paulo, em maio. Ela conta que ainda não sabe o dia certo do embarque nem quanto tempo irá ficar por lá, mas assume que já está ensaiando bastante. “Eu vou dar tudo de mim, mas sei que ganhar não é fácil. Eu faço a minha parte que é ensaiar e cantar com o coração”, diz. Mas essa não é a primeira vez que a maringaense vai para o Japão. No total já foram três visitas ao país. “Costumo dizer que a música me deu tudo. As pessoas que conheci, as viagens internacionais, e também meu marido”, brinca. Hiseko nasceu em Maringá e desde pequena encantava os pais com sua voz. “Minha mãe pedia para eu cantar pra ela e em troca me dava um manju”, diverte-se. Outra curiosidade é o lugar onde Hiseko ensaiava: dentro do guarda- roupa. Para não acordar os filhos e vizinhos, já que moravam em apartamento, entrava no guarda-roupa e soltava a voz. “Como as roupas abafavam o som, ajudou a fortalecer a voz”. A primeira competição, em 1963, a menina, com então 11 anos, já levou o primeiro lugar. E desde então, as competições e vitórias sempre estiveram presentes em sua vida. Foi através da música também que Hiseko conheceu Roberto Ideto, seu marido. “Ele sempre tocou guitarra e nos conhecemos nos ensaios para os festivais de karaokê em Maringá”, conta. E a veia artística foi passada também para os filhos. Segundo a cantora, o apoio dos pais foi sempre muito importante para alcançar os objetivos. “Para eles, era uma maneira de aperfeiçoar a língua e manter a tradição e a cultura. Minha mãe, hoje com 89 anos, sempre que pode, vai em todas as minhas apresentações”, diz. No entanto, o pai sempre a alertou quanto as dificuldades da vida. “Ele me dizia que eu tinha que ter pé no chão, que viver de música não dá”. Hiseko é formada em Matemática e trabalhou durante muitos anos no Banco do Brasil. Hoje, já aposentada, se dedica exclusivamente à música dando aulas de karaokê, em Londrina e Cuiabá. “Temos residência em Cuiabá, por isso vivo 10 dias aqui, 10 dias lá e uma semana na estrada”, conta. As aulas têm duração de uma hora e são individuais. A maioria dos alunos são descendentes e a faixa etária varia de crianças à terceira idade. A professora conta que, além da técnica vocal, ensina a seus alunos expressão facial, corporal, postura, a maneira de gesticular e segurar o microfone, entre outras. “Eu passo um pouco da experiência que adquiri na minha trajetória de mais de 45 anos. Tenho alunos que até já participaram do Programa Raul Gil”, diz. Além de aperfeiçoar a técnica vocal, a música é um grande aliado contra o estresse e a depressão. “Além de divertir a pessoa, a música faz bem para a sua saúde, e não só pelo fato dela aprender a respirar corretamente. Geralmente, quando alguém perde um ente querido, através da música ela consegue sair desse estado de apatia. Ela começa a cantar, começa a sair, quer se arrumar e quando vê está animado de novo”, explica. Diva – “No palco a gente vira uma perua. Em outras ocasiões nos chamariam de loucas. Mas é uma coisa tão gostosa, que melhora a auto estima e rejuvenesce”, diz. É assim, cheia de plumas e paetês, que Hiseko sobe no palco e solta a voz. E foi extamente assim que, no dia 16 de maio, sob os olhares de muitas pessoas, recebeu a notícia que disputaria o Mundial no Japão. “Foi uma grande surpresa, porque eu realmente não esperava. Eram mais de 600 pessoas do Brasil inteiro participando e tinha gente muito bem preparada, principalmente de São Paulo, onde tem sempre muitos concursos. Mas sempre que ganho é uma emoção diferente”, conta. E na hora de agradecer, Hiseko não se esqueceu de ninguém. Agradeceu a Deus, ao pessoal da produção, aos que torceram por ela e em especial seu marido, afinal, ele também contribuiu para a vitória. “Meu marido fez o arranjo no teclado para a minha música, pediu para que cantasse para ele. Achei um pouco simples, comparada à música dos outros, mas pensei: vou ter que cantar, senão meu casamento vai acabar”, diverte-se. E deu certo. Sobre o segredo do sucesso, a cantora explica. “Não existe dizer que eu cheguei no ponto só porque ganhei vários concursos. Música é arte e todo dia tem algo novo para aprender. Além disso, fazer o que gosta, com muita paixão e humildade,e ainda contar com o apoio da família e amigos, não tem como não dar certo”. E essa paixão já lhe rendeu bons frutos. São mais de 200 troféus, dos mais variados tamanhos, enfeitando sua sala. Para quem tiver interesse em assistir as apresentações de todos os candidatos participantes do Viva Karaokê, é só acessar o site www.jbntv.com.br e se cadastrar. Ou assistir as apresentações pelo canal 142 da Sky.
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