Aumento não atinge marcas japonesas
Qui, 27 de Outubro de 2011 10:50    PDF Imprimir E-mail
Economia

1510ch9356A maioria dos carros das marcas Toyota, Honda, Nissan e Mistubishi não será afetada pelo aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados, decretado pelo Governo em setembro. A elevação do IPI tem como objetivo estimular a produção interna. As marcas chinesas e coreanas  interpretam a medida como um protecionismo das grandes fabricantes nacionais.




Aumento do IPI traz baixo impacto às marcas japonesas

Decreto presidencial regulamenta aumento do imposto para carros importados



                           Fotos: Fernando Cremonez
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“A primeira vista a medida é favorável”, declara o gerente da Ford Tropical Fábio Sitta.


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De acordo com o gerente da Honda Caiuás, Rubei Modesto, os modelos City, Fit e Civic que são de fabricação nacional, não serão afetados


Da Redação

O governo anunciou no dia 15 de setembro um aumento de 30% no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de carros importados ao Brasil de fora do Mercosul, elevando o valor total do veículo em 25% a 30%. A decisão valerá até 31 de dezembro de 2012. Segundo a declaração do governo, o principal objetivo é melhorar a competitividade do produto brasileiro e estimular a produção interna.  Os gerentes das concessionárias da Ford Tropical e da Fiat Marajó de Londrina seguem a mesma linha de raciocínio. “A medida é fundamental para fortalecer as indústrias nacionais, porque hoje está se mesclando muito”, afirma o gerente da Ford Tropical, Fábio Sitta.

O diretor comercial da Fiat Marajó, Eduardo Meneguetti, prossegue confiante. “Com a crise que o mundo enfrenta hoje, acreditamos que o consumidor seja mais cauteloso na hora de investir em um bem durável, como o automóvel. Esta medida fortalecerá ainda mais o mercado interno, afetando positivamente as vendas dos carros nacionais”.

Já as montadoras mais afetadas são as marcas chinesas e coreanas como a JAC Motors, Chery, Lifan e Hafei. Elas interpretam a medida como um protecionismo das grandes fabricantes nacionais como Fiat, Volkswagen, General Motors e Ford que representam 70% das vendas no Brasil. O aumento prevê que cerca de 15 empresas sofram com a medida e que metade dos seus veículos tenham seu imposto elevado. De acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores, Fenabrave, 6% dos veículos leves serão atingidos.

Marcas japonesas

Quem não terá grandes prejuízos com o aumento do imposto serão as marcas tradicionais japonesas como Nissan, Toyota, Honda e Mitsubishi. Segundo o gerente da Honda Caiuás, Rubei Modesto, os modelos City, Fit e Civic que são de fabricação nacional, não serão afetados, assim como o CR-V, que vem do México. Apenas os dois modelos Accord, fabricados no Japão e nos EUA, sofrerão aumento. Porém, o número de unidades desses carros que chegam ao Brasil é pequeno.

Referente à marca Toyota, o gerente de vendas Emerson Nóbile explica que o Corolla e a Hilux,  veículos fabricados em maior quantidade, não serão atingidos. A Hilux é produzida na Argentina e o Corolla, no Brasil. O que vai impactar para a Toyota são a RAV4 e Camry, importados do Japão. “Ainda não sabemos qual será o impacto porque, por enquanto, a Toyota ainda não se posicionou diante do preço”, afirma.  Já a marca Nissan não terá nenhum carro afetado.

Critérios

De acordo com decreto presidencial, os requisitos para que a empresa não seja afetada pela elevação do IPI são: fazer investimento local em tecnologia, usar 65% de componentes feitos no Mercosul, e cumprir, pelo menos, seis de 11 atividades de produção no Brasil.

Roberto Cremonez,  gerente da Mitsubishi Motors Mizumi Veículos e presidente do Sindicato de Comércio Varejista de Veículos (Sincovave) no Norte do Paraná, não se pronunciou diante do assunto devido ao pedido da direção nacional das concessionárias até que seja esclarecido como será a real aplicação dos tributos. Por enquanto, o cenário ainda é incerto. Representantes de marcas de veículos importados ainda estão negociando para definir como irão repassar a alta do IPI. Existem quatro frentes de negociação: com o governo, com a montadora no país de origem afim obter descontos para o mercado brasileiro, revisão da margem de lucro do distribuidor e redução das margens para venda nos concessionários. Muitas concessionárias estão trabalhando com estoques ou estão se beneficiando de liminares judiciais para não repassar o aumento ao consumidor de imediato.