Saudar a morte
Sáb, 12 de Novembro de 2011 15:21    PDF Imprimir E-mail
Editorial

No Brasil, país predominantemente católico, o Dia de Finados foi marcado pela presença de milhares de pessoas nos cemitérios. Em Londrina, 200 mil saíram de casa no feriado de quarta-feira. O costume de rezar pelos mortos nesse dia foi trazido para o Brasil pelos portugueses. As igrejas e os cemitérios são visitados, os túmulos são decorados com flores, e milhares de velas são acesas.Os primeiros cristãos rezavam pelos falecidos desde o século I. Eles visitavam os túmulos dos mártires nas catacumbas para rezar pelos que morreram sem martírio. A partir do século XIII, o dia anual por todos os mortos passou a ser comemorado em 2 de novembro, porque no dia anterior se realiza a festa de todos os santos, celebrando os que morreram em estado de graça e não foram canonizados. Já, segundo o budismo, quem morre no mundo material, nasce para o mundo espiritual, ou seja, a morte significa nova vida. No Dia de Finados, os budistas voltam à terra natal e reveem seus familiares e amigos, levando aos túmulos dos antepassados incensos, frutas e flores. Aliás, o ciclo de vida (nascer, crescer, reproduzir, envelhecer e morrer) cuja última etapa não é muito bem aceita pelos ocidentais, é vista com naturalidade pelos japoneses. A questão é que, independente da religião, mais do que saudar os que já foram, a data é um importante momento de reflexão. Entender qual o verdadeiro papel de cada um e tentar executá-lo da melhor forma possível.