Esporte para corpo e mente
Sex, 15 de Julho de 2011 17:11    PDF Imprimir E-mail
Especial

0907-kendoCHO kendô não é tão conhecido como o futebol, tênis ou até mesmo o beisebol, entre os japoneses. Mas nem por isso fica atrás em atletas de destaque. Prova disso é a kendoca Eliete Harumi Takashina (foto),  que conquistou o 3º lugar no Campeonato Mundial de Kendô, em 2009. Os treinos repetitivos aprimoram a técnica e agilidade, além do atleta melhorar a concentração e determinação.
 




Kendô traz benefícios físicos e mentais

Ensinamentos do esporte ajudam a enfrentar os desafios da vida


                                                                                       Foto: Divulgação
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Jeniffer Koyama

Especial para Paraná Shimbun

O Kendô é uma arte marcial japonesa cuja origem está nas técnicas e luta de espadas utilizadas pelos samurais nos campos de batalha. Em Londrina há 25 atletas, desde crianças até idosos, adeptos à modalidade.

Wilson Koguishi, professor de Kendô, afirma que o esporte ajuda tanto na parte física quanto mental. Como a modalidade representa uma luta de espadas, há movimentação de pernas e braços, o que desenvolve a agilidade e força. Já na parte interior, o atleta melhora a concentração, além de persistência e determinação.

O professor conta que treinou durante dez anos para conseguir resultados. Ele explica que o treino é repetitivo para aprimorar as técnicas e a agilidade. Por esse motivo, muitos alunos acabam desistindo, justamente por fazer sempre as mesmas coisas. Contudo, é somente com a repetição que a técnica melhora e os resultados aparecem. “Para isso, o atleta não pode desistir na metade do caminho”, afirma.

Devido à persistência e motivação, a kendoca Eliete Harumi Takashina, 25 anos, conquistou o 3º lugar no Campeonato Mundial de Kendô, em 2009. O evento ocorre a cada três anos e conta com a participação de atletas do mundo inteiro. Para competir no mundial, teve que participar da seletiva do Brasil. Após ser convocada, representou o país, juntamente com outros 19 atletas.

Através da influência dos irmãos, Eliete começou a treinar com apenas nove anos. No início da adolescência pensou em desistir. Contudo, os pais e o sensei a incentivaram a continuar. Hoje, a atleta não se arrepende da escolha e afirma que o esporte ajudou a obter equilíbrio e paciência na vida.

Segundo Valter Oguido, presidente da Associação Kendô Shinko-Kai de Londrina, há certa dificuldade em conseguir adeptos por ser um esporte difícil. Ele conta que o principal objetivo da modalidade é formar o caráter dos alunos, para que durante a vida toda pratiquem os ensinamentos do samurai.

Para isso o atleta precisa ter disciplina e muita persistência. Afinal, o esporte é puxado e os resultados demoram a aparecer. Oguido afirma que a modalidade traz benefícios para vida, justamente por ser muito puxado, e porque há certa dificuldade em obter destaque no esporte. Sendo assim, os atletas aprendem a lidar com os desafios da vida. “O objetivo é formar campeões não só em competições, mas sim, campeões na vida”, afirma.

 

Entenda o Kendô


Valter Oguido, presidente da Associação Kendô-Shinko-Kai de Londrina, explica que o esporte vem da época dos samurais, que por sua vez, eram treinados a lutar com madeira. Contudo, hoje, o equipamento utilizado para a prática do kendô é a espada de bambu ou de fibra de carbono e um conjunto de proteções, para evitar que os alunos se machuquem.

Quanto à competição, o professor de Kendô Wilson Koguishi conta que três juízes observam o jogo e são responsáveis pela pontuação. Para obter um ponto o atleta deve acertar a espada na cabeça, braço ou tórax do outro.  Contudo, não basta somente encostar. Koguishi afirma que o atleta concorrente precisa expressar através de um grito espontâneo que a espada o acertou. E a postura do competidor que atacar deve ser a correta. “Precisa ter a combinação dos três fatores para ganhar um ponto”, diz. Para conquistar um ponto, pelo menos dois juízes devem concordar em concedê-lo. Ganha o atleta que conquistar dois pontos primeiro.