| Natal e Ano Novo | ||||
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As comemorações nikkeis É comum não encontrar, em casas de nikkeis, árvores montadas, troca de presentes ou ceias no dia de Natal. Já o ano novo é diferente. A data é uma das mais celebradas entre os japoneses. Em Londrina, no dia 30 será realizado o tradicional Motitsuki, na Acel. O bolinho de arroz significa prosperidade e dá boas vindas ao novo ano. O Natal dos nikkeis No Brasil, a data virou um símbolo de confraternização com amigos e parentes sem o fundamento religioso ![]() O bolo de morango é a maior tradição Denise Somera Especial para o Paraná Shimbun Com 101 anos de imigração no Brasil, a cultura japonesa também foi se adaptando aos costumes brasileiros, transcendendo a necessidade da religião, que pauta muitos dos feriados nacionais. “Minha família sempre foi budista e o Natal não tem significado nesta religião. Quando crianças, não tínhamos árvore de montada nem troca de presentes”, conta o empresário Jorge Yamawake. Porém, em sua família a data era lembrada sim, com um almoço farto. “Esperávamos o Natal para poder comer bem, comidas gostosas”, relembra, feliz. Esta é a lembrança que muitos nikkeis têm do final de ano em suas casas. Não entendiam com clareza o que era aquela alegria toda do final de ano, nem os rituais que as famílias brasileiras tinham na véspera de Natal. O ano novo, sim, tem o significado para os japoneses, quando se faz o moti e se comemora o início de mais um ano. “Na nossa casa, porém, estamos bem ‘mestiços’ agora e a força dos rituais não tem tanto significado. Sinto que, atualmente, falta religião para as pessoas e estas datas perdem o sentido, sua razão de existir”, confessa Yamawake. Este sentimento de “mistura” não é um problema para o departamento feminino do Clube Nikkei, de Curitiba. “Todo ano, enfeitamos o clube, montamos uma árvore e fazemos comemorações natalinas. É uma festa, não necessariamente cristã, mas uma comemoração em que reunimos as pessoas queridas” diz Estela Hiramatsu, do departamento. Assim também é na casa de Rosa Osaki, que anualmente, prepara a casa inteira com enfeites natalinos. “Mesmo eu e minha mãe sendo budistas, a casa entra no clima de Natal. Minhas irmãs e sobrinhos são cristãos e nós comemoramos todos juntos”, explica. A cada ano, uma decoração temática diferente: toalhas, enfeites, árvore de natal, luzes e velas tomam a casa, enchendo os espaços de cores “do Natal”. Mais do que uma festa em comemoração ao nascimento do menino Jesus, como é para os católicos, o Natal nos nikkeis tem um tom de comemoração de final de ano, reunião de amigos e dos parentes. Sem a religião que dê um tom espiritual à comemoração, o Natal se tornou um momento de pausa nos compromissos e confraternização com amigos e parentes, cada um com seu jeito único de comemorar. “Na nossa casa, não há uma obrigação de passar o Natal reunidos, como sabemos que há em outras famílias. Quando os filhos eram pequenos, montávamos a árvore e tínhamos ceia em casa. Hoje em dia, cada um tem sua própria festa de Natal”, explica Yamawake. Já na casa dos Osaki, o Natal é um tempo de estar em família. “Todo ano nos reunimos em casa, que sempre está enfeitada, para a noite de natal”, diz Rosa. Ex-dekassegui – Quando estava no Japão como dekassegui, a professora Irene Noguti lembra que o dia 25 de dezembro era uma data como outra qualquer. “Não era feriado e trabalhávamos normalmente. No ano novo sim, dependendo do dia da semana, tínhamos até sete dias de folga, além de comemorações específicas”, relembra. Segundo Irene, no início dos anos 90, em cidades do interior do Japão, não existia nada que lembrasse do “nosso natal”, como luzes, papai-noel, enfeites, panetone. “Era mais em Tóquio mesmo”, ela diz. No entanto, de uns anos para cá, isso também foi mudando e sendo incorporado ao calendário do comércio japonês, que vê no Natal mais um mote para venda. “O símbolo do Natal no Japão é um bolo com recheio de morango e cobertura de glacê, com enfeites de papai Noel. Ele é comido somente até o dia 25, como se fosse um panetone”, explica Irene. O bolo, inclusive, é o presente dado entre os japoneses, ela conta.
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