A cultura japonesa “Gomen-Nassai”
Sex, 13 de Março de 2009 21:00    PDF Imprimir E-mail
Especial
Takashi Jouti
De Londrina

 

Em algum momento da vida, todo japonês pede desculpas, seja sua culpa ou não. Toda vez que explodir um escândalo, envolvendo políticos ou grandes empresas no Japão, a mídia do país estará divulgando as imagens dos burocratas ou dos executivos abaixando e curvando as cabeças, pedindo desculpas, formal e publicamente, se bem que o referido gesto não é padrão estipulado pela lei. A cultura de expressão “gomen-nassai” (peço desculpas) é um ritual necessário em diversificados momentos da vida dos japoneses, seja por motivo forte ou não.

Segundo as tradições nipônicas, seguindo as formalidades à risca e dependendo da enrascada em que a pessoa se encontra, um simples acenar com a cabeça e um “gomen-nassai” sussurrado bastam.  Porém, em casos mais radicais, o culpado faz o “doguezá” (ajoelhando com a testa quase encostada no chão), complementado com um “moushiwake-arimassen-deshita” em alto e bom som (sou culpado e não tenho nada a declarar a meu favor).

Nada tão extremo e trágico se comparado aos rituais feudais em que as pessoas tiravam a própria vida com o pedido de desculpas ao xogum (general do exército). Uma história famosa que ilustra a honrosa retratação é o caso do general que cometeu “seppuku”(ritual que consistia em suicidar-se, cortando a própria barriga com uma espada), em 1582, após sua tropa ter sido derrotada na batalha.

No Japão, muitas vezes poderão ser perdoados se tiver pedido desculpas rapidamente. Entretanto, multinacionais estrangeiras têm como política não admitir culpa a qualquer custo pois os advogados corporativos do ocidente desaconselham seus clientes a se desculparem e confessar a culpa.

Porém, na tradição nipônica, a imprensa demonstra particular interesse em arrependimentos perante à sociedade e família da vítima e é comum que juízes levem tais declarações aos emitirem as sentenças. Pois, para um japonês, o pedido de desculpas é visto muito mais como uma forma de respeito e humildade do que simples declaração de culpa.