| Nikkeis vivem experiência única em desfile na Sapucaí | ||||
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| Especial | |
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Londrinenses emocionam-se ao desfilar no Carnaval carioca
O grupo em dois momentos: na concentração, pouco antes do desfile (acima) e à frente do carro Kasato Maru (abaixo)
Maravilhoso, lindo, sensacional. Sobram elogios para descrever a experiência vivida pelos nikkeis do grupo Hikari e alguns convidados, que neste ano viveram intensamente o Carnaval. Eles desfilaram na Marquês de Sapucaí pela Escola de Samba Porto da Pedra, que homenageou os 100 anos da imigração japonesa ao Brasil, integrando uma ala na avenida.Foram várias semanas de muito ensaio para decorar a letra do samba enredo e a coreografia. Mesmo no último encontro, na véspera do embarque, ainda era visível a timidez e a pouca intimidade com o samba. Mas também era notável o empenho e o esforço de todos em busca do melhor resultado. Para simplificar, o professor de dança que preparou o grupo deu apenas uma orientação: “vão lá e soltem a franga”.Depois de quase 1000 km de viagem, porém, tudo mudou. A Porto da Pedra foi a segunda escola a entrar na avenida, no domingo de Carnaval. E na passarela do samba aquela timidez e insegurança simplesmente desapareceram.O contador Akira Kondo sempre assistiu aos desfiles pela TV. Ele diz ter ficado impressionado com a organização do Carnaval. A emoção tomou conta no momento em que ele pisou na avenida e sentiu a vibração da bateria. “Você se sente o maioral. O público é muito receptivo, dá muita força, aplaude e canta o samba com a gente. A gente até esquece o cansaço.”O comerciante Nelson Ishigaki compartilha a mesma opinião. “Eu sabia que seria bonito, só não imaginava que seria tanto”, afirmou. Ele desfilou no chão, com nikkeis de Londrina, Maringá, Curitiba, de outras cidades brasileiras e japoneses. “Nunca senti uma emoção tão forte. Ao mesmo tempo em que eu desfilava, contagiado por aquela alegria toda, eu me emocionava pensando em nossos pais que vieram do Japão, o que eles sofreram aqui no começo”, lembrou.A professora aposentada Yumiko Okano Suzuki conta que viveu sensação parecida. “Quando via uma enorme bandeira do Japão no alto da arquibancada, comecei a me lembrar dos meus pais”, confidenciou.E para Eiko Nakagawa Itano, o enredo contado pela escola foi como uma lembrança de família. Ela é filha de Tomi Nakagawa, que veio no Kasato Maru e viveu em Londrina até morrer, prestes a completar 100 anos, em 2006. “Imaginei minha mãe e meus avós quando vi a réplica do navio no sambódromo. Pensei na luta dos imigrantes, que tiveram uma viagem difícil, com várias pessoas morrendo pelo caminho”, refletiu. Mesmo assistindo detalhadamente à gravação do desfile depois, muitos nikkeis que estiveram na avenida não conseguiram “se ver” nas imagens. À exceção de Shoiti Hashimoto, de 68 anos. Por várias vezes, ele apareceu em close up na transmissão da Rede Globo e nos telões espalhados pela Marquês de Sapucaí. “Me mandaram ‘soltar o frango’ (sic) e foi isso que eu fiz. Fiquei muito emocionado. Pra todo lado que eu olhava era uma alegria só. No final a gente chora de felicidade”, definiu.
Renon Junior
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