Briga de egos decreta fim da Feira Internacional Brasil–Japão
Sex, 11 de Abril de 2008 21:00    PDF Imprimir E-mail
Imin 100
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Briga de egos decreta fim da Feira Internacional Brasil–Japão
Sílvio Barros, prefeito de Maringá, onde seria realizada a feira, recua, retirando espaço cedido há meses; evento já tinha cerca de 80% de comercialização
 
Especial para o Paraná Shimbun

Foto: Mahoko Kasuya

Alguns dos representantes da comunidade japonesa do Paraná, que participaram da reunião. Da esquerda para direita: Kimiko Yoshii, membro da comissão IMIN 100 Londrina; Jairo Tamura, presidente da ACEL; Jorge Yamawaki, presidente do Clube Nikkei de Curitiba; Eduardo Suzuki, presidente da ACEMA e Silvio Barros, prefeito de Maringá.

A Aliança Cultural Brasil-Japão do Paraná e a Liga Desportiva Norte-Paranaense (Aliança/Liga), junto com a Comissão Imin 100 Paraná, decidiram, na última terça-feira, dia 8, em Curitiba, cancelar a Feira Internacional Brasil – Japão, que seria realizada de 19 a 29 de junho, no Parque de Exposições Francisco Feio Ribeiro, em Maringá. A decisão ocorreu depois que o prefeito de Maringá, Sílvio Barros, que tinha cedido espaço para realização do evento na cidade, recuou, anulando o trabalho de dezenas de pessoas e dando mostras de que estaria transferindo seu apoio aos projetos que estão sendo desenvolvidos pela Comissão Imin 100 Londrina. Para evitar maiores divergências entre as comissões e conseqüências mais graves que pudessem ofuscar os festejos do centenário, a Aliança/Liga optou por cancelar o evento.  
As informações são da jornalista Mahoko Kasuya, diretora do Jornal Paraná Shimbun e uma das integrantes da Comissão Imin 100 Paraná, que participou de uma reunião na última terça-feira, em Curitiba, com representantes de vários grupos da comunidade japonesa do Paraná, Comissão Imin 100 Paraná e Comissão Imin 100 Londrina, além do deputado estadual Luiz Nishimori e o ex-deputado federal e presidente da Câmara de Comércio Brasil-Japão do Paraná, Antônio Ueno. Segundo a jornalista, Sílvio Barros chegou a citar a ressurreição de Lázaro, personagem bíblico, para justificar sua transferência de apoio. Barros declarou na reunião que o cônsul do Japão estaria preocupado com a realização de duas feiras no mesmo período e em cidades próximas, o que iria desunir a comunidade.
O prefeito, relatou Mahoko Kasuya, também disse que a Feira Internacional iria prejudicar os maringaenses, já que estava agendada para ocorrer logo na seqüência da Exposição Agropecuária e antes do Festival Nipo-Brasileiro, tradicionalmente em agosto. Ele citou uma carta da Sociedade Rural de Maringá, em que os comerciantes da cidade teriam declarado ter dinheiro suficiente para participar de apenas um dos eventos. De acordo com ele, existiria risco de os expositores migrarem todos para a Feira Internacional e prejudicar as demais. 
Ao final da reunião, Barros, questionado se estaria declinando do convite que tinha feito à Comissão Imin 100 Paraná para que o evento fosse realizado em Maringá, repondeu que não e afirmou que sua palavra seria uma só, rasgou as folhas do flipchart em que estava escrevendo, atirou-as em cima da mesa e abandonou a sala. Não sem antes lembrar que seu irmão, o deputado Ricardo Barros, poderia conseguir a liberação de uma verba de R$ 1,5 milhão para a cerimônia de recepção ao príncipe herdeiro do trono do Japão, Naruhito, em Rolândia, no dia 22 de junho.
 
Feira já tinha 80% de comercialização
Segundo a jornalista Mahoko Kasuya, a Feira Internacional já estava com 80% de seu espaço disponível comercializado. Grandes empresas do Brasil e Japão já haviam confirmado a presença. “Foram dois anos de trabalho, mais de 100 empresas japonesas e brasileiras visitadas. O ex-deputado Antônio Ueno [outro integrante da Comissão Imin 100 Paraná] visitou pessoalmente 80 delas”, disse.
Na opinião da jornalista, a atitude de Barros causa estranheza. Não há como entender, reforça Mahoko, o motivo que o levou a declinar do convite que havia feito aos organizadores do Comissão Imin 100 Paraná. O fato de o prefeito ter citado a comunidade japonesa do Paraná, inclusive a Associação Cultural e Esportiva de Maringá (Acema), quando alegou que um cisma no ano do centenário da imigração seria extremamente prejudicial a todos, indica que as causas da retirada de apoio podem ter sido externas.
A Feira Internacional, explicou Mahoko, representaria as conquistas que a comunidade de origem japonesa acumulou em um século de imigração. “Era só ver quem seriam os expositores e patrocinadores, todos de alto nível”, comentou, ressaltando que as empresas que viriam a Maringá são expoentes em seus setores, sobretudo tecnológicos. “Foram dezenas de visitas a ministérios, em Brasília, de onde conseguimos apoio incondicional ao projeto da feira”, complementou.
Mahoko Kasuya disse que a Comissão Imin 100 Paraná, ainda estupefata com o ocorrido, vai ter que se refazer para somente depois pensar em contabilizar todos os prejuízos, especialmente os morais. “Existem contratos já assinados, as empresas que compraram os espaços são sérias, de renome, tínhamos prazos a cumprir. Não sabemos ainda como vamos comunicar essa situação aos expositores. As empresas que viriam a Maringá, certamente vão exigir explicações, e não sem razão”, disse ela.
Segundo a jornalista, apesar do fato deplorável, a Comissão Imin 100 Paraná vai continuar concentrada na recepção ao príncipe herdeiro.
 
Profissionais se frustram - Foram dois anos de trabalho exaustivo para a organização da Feira Internacional Brasil-Japão. Nesse tempo, centenas de pessoas foram mobilizadas no sentido de produzir um evento memorável. Jornalistas, arquitetos, designer, equipes de vendas, marketing e relações-públicas estiveram envolvidos no projeto.
A sensação, para toda a equipe, é de traição. “Eu cheguei agora mas me sinto extremamente frustrada com a decisão por ver um trabalho tão bonito e bem realizado sendo jogado no lixo”, declarou uma das colaboradoras da Imin 100 Paraná, que pediu para não ser identificada.
Outra profissional envolvida com o trabalho desde seu início, que também não quis se identificar, disse que chorou ao receber a notícia. “Estou me sentindo muito triste, porque eu vi, desde o começo, a dedicação, o trabalho, a garra de todos. Além do que os argumentos utilizados para acabar com a feira não se justificam, são maldosos”, reprovou. Para ela, todo mundo tem direito de comemorar o centenário da imigração. “Por que só Londrina tem que ter uma feira? Por que a feira que era de todo o Paraná tem que ser abortada? Só para atender egos?”, questionou. 
(Colaborou Maranúbia Barbosa)

Telma Elorza

 

“Prefeito atendeu pedido do cônsul”, afirma secretário

 

Especial para o Paraná Shimbun

 

O secretário das Comemorações do Centenário da Imigração Japonesa de Maringá, Shudo Yasunaga, afirmou que o prefeito Silvio Barros retirou o apoio à realização da Feira Internacional Brasil-Japão na cidade para atender a um pedido do cônsul-geral do Japão no Paraná, e porque não tinha ‘repostas satisfatórias dos organizadores do evento sobre as empresas expositoras’.

De acordo com o secretário, o cônsul-geral Soichi Sato teria pedido ao prefeito para que retirasse seu apoio, no sentido de que a comunidade nipo-brasileira paranaense concentrasse esforços na realização de apenas uma feira em Londrina.

Yasunaga disse que Sílvio Barros persistiu até o último momento na realização da feira na cidade. “O prefeito está extremamente empenhado nos preparativos do Imin100 em Maringá. Ele propôs a realização da feira, mas não tinha certezas em relação aos expositores do evento”, afirmou.

Emerson Xavier

 Cônsul desmente versão de Sílvio Barros O cônsul geral do Japão no Paraná, Soichi Sato, refutou as declarações do secretário das Comemorações do Centenário da Imigração Japonesa de Maringá, Shudo Yasunaga, dadas ao Paraná Shimbun. O cônsul afirmou que nunca manifestou preferência por uma ou outra feira comemorativa.Segundo Sato, a única vez que se encontrou com o prefeito Sílvio Barros foi em uma visita que ele fez ao consulado. Na ocasião, o prefeito foi acompanhado pela jornalista Mahoko Kasuya e pelo ex-deputado federal Antônio Ueno, que presenciaram a conversa. “Nesta visita, só falei que estava preocupado com a união da sociedade nikkey em torno da visita do príncipe herdeiro a Rolândia. Reforcei que queria que todos se unissem para que a visita fosse um sucesso”, assegurou.

De acordo com o cônsul, em momento algum da conversa ele se mostrou contra a realização da Feira Internacional Brasil- Japão em Maringá. “Isto não é da minha alçada. A minha única preocupação é o evento oficial com o príncipe”, declarou. (T.E.)