| Senta que lá vem história! | ||||
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| Japonês | |||
Dono de ricas lembranças, o engenheiro e escritor Toshio Icizuca chega a marca de 100 crônicas publicadas no Paraná Shimbun![]() Da Redação Seus pais, Ginye e Sata Icizuca, se conheceram no Japão, em uma escola de imigrantes, denominada Rikkokai, que ficava em Tókio. O casal tomou a decisão de vir ao Brasil devido a condição financeira da família que não estava boa. Em 1933 desembarcando em Santos e foram encaminhados para uma fazenda de café a pouco mais de 10 kilômetros de Penápolis, no estado de São Paulo. Ao fim do contrato de um ano, período em que os pais de Toshio teriam que permanecer na fazenda, aconteceu uma reviravolta. Seu pai sempre gostou de ler. “Coincidência, não?”, brinca o escritor. Possuía, então, o hábito de ir todo mês até Penápolis, à pé, para buscar jornal. Um dia, voltando da caminhada e lendo as notícias, deparou-se com a informação de que havia um corretor vendendo terras no Norte do Paraná. Então, no mesmo instante, retornou à cidade e foi procurar o corretor Hikoma Udihara. O senhor Ginye Icizuca comprou cinco alqueires de mata virgem em Londrina, para onde a família mudou-se em 1934, ano em que a cidade foi fundada. A família Icizuca e mais aproximadamente 50 famílias de imigrantes começaram o desmatamento perto ao Rio Quati. Nascido no dia 19 de abril de 1936, nessa mata virgem, Toshio Icizuca e seus quatro irmãos, Juliana Keiko (1933), Luiz Tutomu (1935), Iwao (1938) e Emilia (1939), acompanharam o desenvolvimento da colônia. Ele frequentou o Grupo Escolar Hugo Simas em Londrina até 1948, mas terminado o período não pode ir ao ginásio, pois tinha que ajudar no sítio. Desse modo, aproveitou o ano para aprender melhor a língua japonesa, freqüentando, então, a escola Seiryo Gakuen. “Fui um dos primeiros alunos dessa escola japonesa e tenho um profundo respeito pelos professores que tanto me ensinaram”, expressa. Em 1949 prestou um exame de admissão e entrou para o ginásio no Colégio Estadual de Londrina. Em 1953, foi a São Paulo para se aventurar na área de engenharia. Prestou um exame e entrou para o curso de eletrotécnica na Escola Técnica do Mackenzie. Após trabalhar em algumas empresas como Hemel e General Electric, Icizuca sentiu a necessidade de fazer o curso de engenharia. Assim, em 1958 passou em Engenharia Civil Eletricista na Mackenzie, e no terceiro ano já fazia estágio remunerado na empresa Alcan. Porém, no quinto ano desistiu da área civil e se formou como engenheiro eletricista em 1962. No ano de 1969 assumiu o cargo de Superintendente de Engenharia na RCA Victor. Ainda trabalhou na empresa Aços Villares antes de decidir mudar-se com a família para o interior. Indo para Piracicaba, onde reside até hoje, iniciou seu trabalho na Itelpa, onde conseguiu uma vaga entre 75 candidatos. Trabalhou também na empresa Dedini antes de se aposentar. Teve oportunidade ainda, de ir ao Japão em três ocasiões, à trabalho. Foram esses e muitos outros empregos que forneceram diferentes experiências à Icizuca. Em 1987 iniciou a sua aventura no campo da escrita. “Insatisfeitos na época do cruzado, todos criticavam o Brasil e seus políticos. Eu também era um desses críticos mordazes. Pensando em não criticar apenas, surgiu a ideia de escrever artigos para jornais e colocar algumas ideias minhas. Se alguém ouvisse ou adotasse as minhas sugestões, seria muito bom. Quando meu primeiro artigo foi publicado no Jornal de Piracicaba, fiquei muito feliz”. Antes dessa experiência, o engenheiro imaginara que conseguiria tal proeza. Anos antes, segundo o escritor, não sabia ler e escrever muito bem. “Eu era incapaz de escrever cinco linhas. Na época do Mackenzie, um amigo me emprestava a revista Seleções e peguei o gosto pela leitura”. A partir do seu primeiro texto, o escritor não teve mais descanso. Foram 800 artigos no Jornal de Piracicaba. Publicou artigos e crônicas no jornal de Campinas e no “O Estado de São Paulo”. Aos poucos foi ganhando fama em sua cidade e começou a receber convites para participar de várias entidades culturais. Foi membro do Conselho das Entidades Civis de Piracicaba, membro do Rotary Club Cidade Alta, secretário Municipal do Trânsito e diretor da Secretaria do Meio Ambiente (Sedema) da cidade. Foi candidato a vereador, mas “intelectual não ganha voto”, brinca. Atualmente, é diretor do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba. Natural de Londrina, Icizuca demonstra grande carinho pela cidade. “Sempre que posso gosto de vir a cidade e acompanhar o seu crescimento”. Partindo desse sentimento, ao participar do encontro de ex alunos da Seiryo Gakuen, em 2008, passou pela cabeça do escritor, “tenho que fazer alguma coisa pela minha cidade natal”. E foi dessa forma que Toshio fez questão de escrever para o Jornal nikkei da cidade, Paraná Shimbun. Ideias não faltam na cabeça do escritor. “Quando eu comecei a escrever imaginei que não teria imaginação para escrever 20 crônicas. Mas engraçado é que o tempo passa e sempre surgem ideias”. A imaginação de Toshio não para em suas crônicas. O escritor tem em vista dois livros a serem lançados. “São coisas totalmente diferentes. Um é relacionado ao futebol, como um dicionário de palavras utilizadas nesse esporte e já está quase finalizado, faltando só atualizar e revisar. O outro é um romance. Uma adaptação da vida que eu convivi na época que trabalhei numa empresa em que observei muitas coisas”. Agricultor, engenheiro, escritor, político. São tantas as atribuições que não resta dúvida da sua genialidade.
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