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Almoço com um bom bate-papo
Maria Ogasavara oferece uma boa comida e atendimento atencioso no restaurante Lá em Casa Crédito: Oscar fujiwara Oscar Fujiwara Atualmente, com a correria do dia a dia, é cada vez mais difícil encontrar um tempo para voltar para casa na hora do almoço, e a alternativa mais prática é procurar um restaurante próximo ao local de trabalho ou residência. Empresários, bancários e estudantes que circulam pela região central da cidade além de encontrarem diariamente boa comida no restaurante Lá em Casa, também se deparam com o bom humor de Maria Ogasavara, uma de suas proprietárias. O começo da infância da empreendedora foi vivido na cidade de Uraí, até os seis anos, quando mudou-se com a família para Londrina. No primário e ginásio estudou nos colégios Hugo Simas e Vicente Rijo, diferentemente de seus irmãos, que frequentavam o Colégio Londrinense, uma instituição particular. Apesar das escolas públicas terem, na época, o ensino tão forte quanto, ou até mesmo melhor do que os estabelecimentos privados, a motivação dessa distinção dentro da própria família tinha razões mais conservadoras. “Meu pai falava que mulher não precisava de estudo, por isso que me matriculou na rede pública”, conta. Após concluir o ginásio (hoje equivalente ao Ensino Fundamental) Maria decidiu se mudar para a cidade de São Paulo, para ingressar no curso de Enfermagem Obstétrica no Hospital das Clínicas. “Uma inquilina do meu pai era parteira e minha avó sempre falava que eu era boa para lidar com as pessoas”, lembra. Por influência dos familiares e pelo interesse por essa profissão, começou a se envolver na área da saúde. Depois de quatro meses frequentando o curso e morando com uma família japonesa, decidiu voltar para casa, apesar da boa adaptação à nova moradia. “Meus pais pediram que eu voltasse para ajudar a cuidar de minha avó. Além disso, para quem é do interior, a saudade bate muito forte”. De volta a Londrina, fez o colegial no Instituto de Educação Estadual de Londrina (IEEL), no qual se formou no Magistério. Logo em seguida obteve uma vaga como professora na Escola Paroquial Nossa Senhora de Fátima, onde trabalhou por dois anos e começou a enfrentar as peculiaridades do ofício. “No começo os alunos não me respeitavam. Para me entrosar, ia aos fins de semana no colégio para jogar futebol com eles”. Maria ainda lembra que, nesses dias, voltava caminhando para casa, em um trajeto que começava na Avenida 10 de Dezembro, próximo ao cruzamento com a Avenida Brasília, e acabava na Rua Senador Souza Naves, na altura da Unimed. Paralelamente, cursou Filosofia, na Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Londrina, por dois anos, até largar o curso por falta de interesse e se voltar para a carreira de professora. A escola seguinte foi a Dario Veloso, onde permaneceu por 15 anos trabalhando com a alfabetização de crianças. Nesse período ingressou em um curso de Pedagogia, na cidade de Presidente Prudente (SP), junto de mais cinco amigas. As aulas aconteciam às sextas-feiras, sábados e domingos, e para conseguir assisti-las era preciso fazer alguns sacrifícios. “Era bastante corrido. Nós pagávamos para dormir em uma república de estudantes na cidade. Meus filhos eram pequenos e meu marido que cuidava deles enquanto eu estava fora”. Depois de quatro anos no vaivém, ainda encontrou vontade para estudar Administração Escolar, durante dois anos, na mesma cidade, porém sem a necessidade de se deslocar para o outro município todas as semanas. A última instituição de ensino da qual fez parte foi a Escola Estadual João XXIII, na qual exerceu o cargo de diretora durante cinco anos e onde se aposentou. A experiência foi menos estressante em relação ao que se poderia enfrentar nos dias de hoje no mesmo cargo e contava com diversos colaboradores. “Naquela época os professores eram muito responsáveis e os pais se envolviam mais com a escola e o ensino. Convidávamos os alunos das faculdades de Odontologia, Agronomia e Psicologia para realizarem atividades junto com nossos alunos”. Depois da aposentadoria, ainda trabalhou em agências de turismo, ajudou a família na criação de chinchilas, trutas e plantação de shitake, até chegar à ocupação atual. Apesar de nunca ter se envolvido no setor gastronômico, uma observação dentro da própria família mostrou um mercado em expansão. “Meus filhos trabalhavam fora de casa e não tinham tempo para voltar para almoçar. Isso fez a gente perceber essa necessidade das pessoas”. Juntamente com o marido, o irmão e a cunhada, adquiriu um restaurante que estava à venda e começou a nova empreitada, em agosto 1994. “Começamos a usar menos sal na comida e cortamos os pratos muito gordurosos, que eram servidos pelos antigos proprietários”. Mesmo apreciando a culinária, não é de Maria a responsabilidade pela cozinha, que cabe à sua cunhada Amélia Kakitsuka. Há 16 anos, dona Maria personifica o restaurante com um atendimento sempre bem animado e presente. “O que mais gosto no dia a dia é o bate-papo com a pessoas que conhecemos ao longo do tempo. Existem famílias que, desde 1994, frequentam o restaurante”. Mesmo para quem não está com tanta fome, vale a pena dar uma passada no local, só para ter uma conversa divertida.
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