Perfil (Marcio Koga)
Sáb, 04 de Setembro de 2010 17:12    PDF Imprimir E-mail
Perfil

Histórias da Nossa Gente

Interferências em interiores

Arquiteto Marcio Koga ajuda os londrinenses a encontrarem estilo para ambientes internos

                                                                                                            Crédito: Arquivo Pessoal
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Koga foi um dos responsáveis pela decoração da EXPO IMIN 100

 

Oscar Fujiwara
Especial para o Paraná Shimbun

O contato das pessoas com a arquitetura é permanente. No trabalho, em casa, ou nos espaços públicos, a relação com projetos de diferentes profissionais é direto, tanto em interiores, quanto na parte externa das estruturas. Criatividade, funcionalidade e beleza são alguns dos critérios levados em conta na realização de um trabalho e podem determinar a personalidade de um lugar. Otimizar os espaços internos é uma das preocupações do arquiteto Márcio Koga, que ajuda os londrinenses a aproveitarem de maneira eficaz suas áreas disponíveis.

A vida do arquiteto em Londrina começou aos 18 anos, quando se mudou para a cidade após ingressar no curso de Arquitetura e Urbanismo da UEL. O processo de escolha da graduação foi até simples, sem muitos dilemas e dúvidas, pautado no que lhe interessava. “Sempre gostei de desenho e criação. Todo teste vocacional que eu fazia indicava áreas que envolviam esses elementos”. Apesar de não ter nenhum parente arquiteto com o qual pudesse tirar algumas dúvidas sobre a faculdade e a profissão, um primo o ajudou a eliminar a outra opção que ainda cogitava seguir, a publicidade. “Ele trabalhava como publicitário e me alertou negativamente sobre o campo profissional do setor. Disse que para crescer teria que ir para São Paulo”. Como a capital paulista, principalmente a qualidade de vida que se leva na cidade, não o agradavam muito, não houve dúvidas na hora de eliminar essa alternativa.

Nas aulas da faculdade nem todas as matérias exigiam criatividade e habilidade com desenhos e uma disciplina em particular causava certo incômodo em todos os alunos. “Cálculo é o terror do estudante de Arquitetura. Quase metade da sala ficava de DP”, conta. Foi nesta época também que desenvolveu o gosto pelos projetos de interiores e paisagismo.

Depois de formado, Marcio trabalhou durante um ano e meio em uma empresa que produzia elementos de cimento para decoração. Sua responsabilidade era de projetar as peças, utilizadas na revitalização de praças, remodelagem de igrejas, por exemplo. Suas criações, nesse período, abrangeram os estados de São Paulo e Paraná.

A próxima experiência foi a abertura de um escritório de arquitetura, juntamente com duas colegas da época de faculdade, no qual trabalha até hoje. Uma boa oportunidade, logo de cara, ajudou a dar visibilidade aos profissionais, que se aproveitaram da chance para superar as dificuldades que qualquer negócio enfrenta no início. “Nosso primeiro projeto foi a Mostra de Decoração de Interiores (MDI), isso fez com que as pessoas passassem a conhecer o nosso trabalho”.

A verticalização urbana, que substitui amplas casas por prédios com apartamentos muitas vezes apertados, não prejudica a criação arquitetônica, de acordo com Marcio, mas cria um cenário estimulador. “Essa mudança traz novos desafios. Os espaços pré-concebidos, que não permitem modificações, nos estimulam a achar maneiras de otimizar os mesmos”. Apesar deste novo contexto, ele acredita que o mercado ainda é bastante amplo para o setor de casas na cidade, haja vista a grande quantidade de condomínios fechados que ainda surgem.

Para adquirir novas referências e entender o funcionamento de diferentes projetos, o arquiteto afirma que as viagens ajudam bastante, e que aliar passeio ao trabalho é natural para os profissionais da área. “Um lugar que me surpreendeu é Balneário Camboriú. Às vezes pensamos que lá só há praias, mas os projetos arquitetônicos comerciais são muito bem elaborados”.

A facilidade no acesso à informação deixou os clientes mais sábios em relação à decoração, mas muitos ainda deixam a funcionalidade de lado, dando preferência à estética. “Muitas das ideias deles vem de revistas. Mas é importante saber diferenciar aquilo que se quer daquilo de que se precisa”, diz. O novo sempre é privilegiado nas criações de Marcio, respondendo também aos anseios da clientela. “A criatividade está cada vez mais procurada. A cada momento surge um produto novo, um material diferenciado no mercado”.

Mesmo morando em um apartamento, o arquiteto confessa que sua moradia ideal seria muito parecida com um loft. “Haveria integração entre os cômodos. Seria um loft na essência, o único espaço fechado seria o banheiro”. Entre os trabalhos dos quais o arquiteto mais se recorda está a decoração da festa do IMIN 100, em Londrina. “Tenho muito orgulho de ter participado, fiquei envolvido durante um ano inteiro com o evento, junto com a equipe de arquitetos, e conseguimos repercussão nacional”.