Perfil (Koki Kitahara)
Sáb, 11 de Setembro de 2010 14:53    PDF Imprimir E-mail
Perfil

Fazer o bem, para colher o bem

Influenciado pelo pai, Koki Kitahara tornou-se médico e utiliza os princípios da “moralidade” para guiar a sua vida

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Mayhara Nogueira

Especial para o Paraná Shimbun

 

É impossível dissociar a história do otorrinolaringologista Koki Kitahara à de sua família. O especialista morou durante dez anos longe de casa, a fim de realizar o sonho de seu pai, Shigueharu Kitahara, que desejava que um dos cinco filhos se tornasse médico. Hoje, o especialista continua se alimentando das filosofias do seu pai, já falecido, utilizando os princípios da “moralidade”, para guiar a sua vida

A história da família Kitahara é de perseverança e determinação. No entanto, para todos aqueles com espírito empreendedor, o risco é eminente, e de acordo com Kitahara, as experiências de seu pai para os negócios não foram as mais otimistas. “Meu pai foi guerreiro, não desistia. Apesar das falências que a minha família sofreu, ele continuou em frente”, comenta.

Mas, no final da década de 1940, já em Londrina, Shigueharu Kitahara começou a investir em vendas de rádios, que captavam as ondas de frequência direto do Japão, e vitrolas, vendidas juntamente com vinis de artistas orientais. “Foi uma época próspera. Todas as famílias orientais queriam ter em casa”, lembra.

A vontade do senhor Shigueharu Kitahara de crescer, era proporcional ao sonho de ver um dos filhos de tornar médico. “Ele admirava um médico amigo dele, especializo em ouvido, nariz e garganta. Ele vivia me dizendo: ‘gostaria que você fosse igual a ele’. Então a mensagem se fixou”, conta.

Com o curso de medicina da UEL recém inaugurado, Kitahara optou por prestar vestibular na Universidade Federal do Paraná, em Curitiba. Embora a mudança tenha sido brusca, a adaptação não foi difícil. ”Tudo era diferente e muito chique. Foi um período espetacular, pois pude ser testemunha da mudança de hábitos e costumes daquela geração”, comenta Kitahara, ao lembrar e comparar a sofisticação dos habitantes da cidade no começo da década 1960, e nos anos seguintes com o aparecimento da banda de rock, The Beatles, no qual influenciou o comportamento de milhões de jovens da época.

Foi neste período que o especialista conheceu  sua esposa, a bioquímica  Helena Harumi Kitahara, quem reencontrou em São Paulo, em função do curso para residência, no Hospital de Servidores Públicos.

Passados quatro anos, 1976, Kitahara, já formado, decidiu voltar à Londrina, cujo primeiro trabalho foi na Santa Casa. Mas, o espírito empreendedor, herança de família, falou mais alto. Juntamente com quatro sócios, abriu um hospital de otorrino. “Era um sonho, mas a tentativa durou pouco tempo, acabei me afastando a fim de abrir um negócio próprio”, diz.

O Hospital Otocentro foi fruto dessa espera, que levou quase 20 anos para se concretizar. O lugar é responsável por abrigar um projeto social com a prefeitura, no qual já realizou aproximadamente 1000 cirurgias, em conjunto com 23 médicos. “Foi muito gratificante, e queremos fazer a terceira edição agora na gestão do Barbosa Neto. Mas é preciso que todos trabalhem em conjunto”, afirma.

Além disso, o médico é voluntário no “Mutirão da Saúde -  dia da Cidadania”, evento organizado pela Fundação Galvão Bueno. Uma vez por mês, um grupo de médicos, de diversas especialidades, organiza atendimentos em bairros carentes da cidade. “Poder ajudar alguém, que às vezes espera anos por uma cirurgia, é maravilhoso”, comenta. “Sinto-me muito influenciado pelas palavras do meu pai - um estudioso dos princípios da moralidade - e pelas atitudes deminha mulher, muito atuante na comunidade”, diz ele. “Precisamos plantar as coisas boas, para colher sempre coisas boas”, aconselha.