As mil facetas de Miyoshi Egashira
Qua, 13 de Abril de 2011 11:47    PDF Imprimir E-mail
Perfil

Um grande Samurai contemporâneo é como se resume a personalidade de Egashira, que tem como filosofia de vida o trabalho e a busca pela conservação do corpo e da mente

                                     Crédito: Walkiria Vieira 
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Mayhara Nogueira

 

Por trás da tranquilidade e do sorriso largo do tradutor juramentado Miyoshi  Egashira, se escondem inúmeras histórias de pioneirismo. Aos 74 anos, faixa preta em kendô e judô, e dono de uma vitalidade admirável, adquirida com muita disciplina, Egashira viajou o Brasil e o mundo, desbravou a floresta Amazônica e trabalhou intensamente a favor da comunidade em Londrina. Para muitos, ele é um grande samurai contemporâneo, que tem como filosofia de vida o trabalho e a busca pela conservação do corpo e da mente.

Filho de Yoshiko e Taneo Egashira, o tradutor nasceu no Brasil e passou a sua infância em um sítio de café, em Lins, interior Paulista. Trabalhando desde os sete anos juntamente com  seu irmão mais velho,  o tradutor se lembra que enfrentou o machado e a terra, e descalço, trabalhava sem muita comodidade. “Perdi as contas de quantas vezes me machucara ou pegara bicho de pé”, conta.

Após 10 anos como colono, a família Egashira conseguiu comprar 30 alqueires de terra na Colônia Aliança, e dois anos depois, seu pai adquiriu um caminhão, cujas peças foram

vendidas mais tarde para dar entrada em 20 alqueires na Gleba Bandeirantes, em Rolândia. “O meu pai, que era um líder nato da comunidade, batizou com o nome de “Colônia Kyoei”, lembra.

Com orgulho e admiração, Egashira se recorda que o pai foi um dos fundadores de Rôlandia e do Rotary Clube daquela cidade, além de ter sido o primeiro imigrante a ser presidente rotário, na década de 1960. “Era um homem que abraçou o país, dizia que seria enterrado no Brasil”, comenta. “Por isso, apesar de trabalhar o dia inteiro na lavoura, à noite estudava arduamente o português. Ele foi muito admirado por isso”

Com 13 anos, na época áurea do café, Egashira veio para Londrina a fim de estudar. Na época, ainda existia fragmentos da 2º Guerra Mundial, e a violência e discriminação contra os

descendentes era iminente. “Podia ter alimentado a raiva dentro de mim,  mas ao invés disso, sempre procurei converter os maus pensamentos para uma energia boa, que me deu força para crescer e me tornar um homem de respeito”, explica.

No ensino fundamental, em Londrina, Egashira estudou no colégio interno Kenschinjoko, no qual, segundo ele, aprendeu com perfeição o nihongo e o português. “Esse período me ajudou, mais tarde, a me tornar tradutor público juramentado”, lembra.

No ano de 1958, o tradutor passou por Curitiba, onde fez faculdade de Economia. Segundo ele,  trabalhou em diversas áreas para sobreviver, uma delas foi de professor de língua japonesa. Logo em seguida  mudou-se  para São Paulo, onde cursou especialização em mercado de capitais. “Sempre fiz questão de me especializar, estudar e aprender”, comenta.

Em 1966, a convite do ex -deputado Antonio Ueno, voltou à Londrina, e em sociedade, abriu uma financeira, a Paranácrédito SA – Financiamento, Crédito e Investimento. Em seguida, Egashira fundou a Distribuidora Nikkei e foi sócio da Farmácia Sergipe, Restaurante San Remo, LC Cosmético Ltda e trabalhou na construção e organização do Hotel Nikkei.

Além disso, foi um desbravador da floresta Amazônica, quando, juntamente com um grupo de amigos, mantinha uma fazenda de guaraná em Manaus. Por 20 anos, também  foi diretor da Acel e na década de 1980 viajou inúmeras vezes para os Estados Unidos, Europa e Japão para participar de seminários de orientação e treinamento na área da Medicina Preventiva e assistência ao idoso. “Fui à convite do governo Japonês. Depois que retornei, percorri todo o rincão paranaense com 40 especialistas para implantar o sistema de Medicina Preventiva no Estado”, lembra.

Mas a vida atribulada e cheia de compromissos ficou na lembrança, e hoje Egashira prefere a companhia da família e dos clientes que frequentam seu escritório. “Quero

continuar trabalhando, pois é o que mantém a saúde do homem”, comenta. Com uma rotina regrada, o tradutor, função que exerce há trinta anos, acorda cedo, faz uma leitura de quarenta minutos, meditação,  auto-massagem, exercícios para os braços e caminha até o trabalho. Aos domingos ele reúne a família. “Faço questão de ver todos juntos e de cozinhar para eles.“