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HISTÓRIAS DE NOSSA GENTEUma vida de missõesO Padre Lino Stahl percorreu o mundo exercendo ações missionárias, mas se encontrou mesmo na cultura nipônica
Mayhara Nogueira
O Padre Lino Stahl, de descendência alemã, nasceu no Brasil, morou nos Estados Unidos e Alemanha, mas se encontrou, verdadeiramente, dentro da cultura nipônica, quando, por quase duas décadas, morou no Japão. Com vasta experiência em solos orientais, foi a pessoa perfeita para cumprir a missão de catequizar imigrantes e descentes japoneses no norte do Paraná, onde trabalha, há 30 anos, na Paróquia Pessoal Nipo Brasileira Imaculada Conceição . Lino Stahl nasceu em Linha Imperial, distrito de Nova Petrópolis, RS, no dia 1 de abril de 1923. Vindo de uma família de imigrantes alemães não católicos, Stahl desde criança dava sinais de que um dia seguiria o sacerdócio. “Adorava ler revistas relacionadas com as Missões de Jesuítas, e imaginar as suas viagens e as suas contribuições para o povo”, afirma. E a ideia de trabalhar com as Missões evoluiu durante o tempo em que passou no Seminário em Salvador do Sul, RS, de 1937 à 1941. “Um tempo de boas recordações. Lembro-me das diversas peças teatrais que a gente organizava”, recorda. Em 1942, Padre Lino, como hoje é conhecido, foi admitido no Noviciário Companhia de Jesus , em Pareci Novo, RS, onde, dois anos depois, emitiu os seus votos religiosos e realizou o juniorado, um período de estudos. “Especializei-me em literatura, línguas estrangeiras, retórica, história universal, e nos dias de folga dava catequese em uma escola rural”, lembra. O então jesuíta estudou filosofia, de 1946 à 1948, em São Leopoldo,RS, e em seguida, objetivou um estágio em uma aldeia a indígena . Porém, o inesperado aconteceu. “Quiseram que eu me tornasse um missionário, e a proposta, que explodiu com uma bomba, foi que eu o fizesse no Japão”. Em sua lembrança, o Japão do final da década de 1940 não existe hoje. “Era um país em estado lastimável, devastado pela guerra, ruínas por toda parte, lojas vazias e escassez de alimento”, recorda. O impacto com a língua foi o mais difícil. Foram dois anos de estudos para poder ingressar em um colégio japonês, onde teve a orientação de ensinar inglês a alunos de 12 e 13 anos e catequizar os católicos. “Os jesuítas exercem a ação missionária essencialmente por meio da educação”, explica. Após quatro anos no país, Padre Lino foi ainda para Alemanha, onde fez os estudos teológicos e também foi ordenado sacerdote, realizando a sua primeira missa. No final da década de 1950 foi enviado aos Estados Unidos para prática pastoral em Seattle. Depois disso, ainda retornou ao Japão, em 1958, onde passou 17 anos lecionando inglês e orientando espiritualmente os alunos de escolas. Com a longa experiência em solos nipônicos, o sacerdote foi incumbido de vir ao Brasil, em 1982, precisamente à Londrina, onde teve uma missão muito especial: evangelizar imigrantes e descendentes que não conheciam o cristianismo. O trabalho, de certa forma, era segmentado e, segundo ele, não agradou aos demais padres. “Ninguém entendia. Achavam que eu estava segregando a comunidade”, afirma. Hoje, padre Lino, que teve que adaptar os seus ensinamentos para a cultura e a mentalidade nipônica, trabalha não só dentro da sua arquidiocese, mas também em Arapongas, Cornélio Procópio,e em cidades de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Com sua experiência de vida, Lino Sathl é um padre como poucos, que acredita que as pessoas não pertencem à igreja. “Em toda vida trabalhei com o intuito de preparar as pessoas para uma vida de fé em Cristo, em que elas possam praticar, principalmente fora da igreja”, afirma.
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