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Hobby que virou negócioApaixonada pela música desde a infância, Mity Shiroma fez do hobby, um prazeroso trabalho, fundando escola de karaokê, grupo de dança e empresa de eventos
Mayhara Nogueira
Alegre e espontânea, Mirian Mitiko Takemura, mais conhecida como Mity, é uma mulher reconhecida por fazer de suas paixões, negócios. Por meio da música - após ter representado o Brasil em um concurso internacional de karaokê realizado no Japão -, a empresária abriu uma escola de canto, que, mais tarde, se expandiu para diversos segmentos: produção, dança, eventos, entre outros. Hoje, ela é responsável pela organização de um dos eventos mais importante do calendário de festas nikkei, o Londrina Matsuri. De acordo com Mity, sua história de vida está profundamente relacionada à de sua família. Nascido em Okinawa, seu pai, Seichu Takemura, veio diretamente para Londrina - onde já moravam alguns de seus familiares -, no final da década de 1950. Com o objetivo de adotar o país como sua nova pátria, Takemura se dedicou a estudar a cultura brasileira, e em menos de dois anos, já com o idioma fluente, abriu a sua própria empresa. Devido às suas origens, Takemura foi bem acolhido na Associação Cultural Recreativa Okinawa de Londrina , Acrol, onde conheceu quem seria sua esposa, Teruko Takemura, filha de imigrantes também de Okinawa. Mity se lembra que dentro da Associação e em sua casa, os laços culturais, entre a música e a dança, sempre foram muito fortes, servindo de influência para as suas futuras decisões profissionais. “Não foi à toa que escolhi a minha profissão, tenho uma família grande e muito animada, tudo era motivo para alguma celebração”, afirma. Sua relação com a música começou aos 13 anos, na escola japonesa onde participava de eventos culturais, sob os olhos atentos de Toshima sensei. Logo em seguida, Mity se inseriu na Associação de Cantores Amadores de Londrina, fundada para amantes da música japonesa, e começou a viajar, representando a cidade em festivais. “Naquela época Londrina era um grande seleiro de artistas com destaque nacional”, lembra Mity, que nem imaginava que poderia ser um deles algum dia. Em 18 de março de 1984, com apenas 21 anos, Mity foi campeã da eliminatória do Grande Prêmio de Canção Japonesa para Estrangeiros ( Gaikokujin Kayô Taishô), reapresentando o Brasil na final do concurso, em Tókio, no Japão. Mas, para ela, acima de qualquer coisa, o concurso foi mesmo um divisor de águas na sua vida. “Foi quando eu decidi, sob aval do meu pai, largar a especialização em língua inglesa e me dedicar às aulas de canto que eu já vinha ministrando para jovens na Acrol”, explica. E de lá para cá, a paixão resultou em diversos empreendimentos, que sempre tiveram como objetivo difundir a cultura japonesa na cidade: a Mity Escola de Karaokê, onde revelou talentos como Francine Missako, Patrícia Lissa Martins e Koite Saito, vencedor do Festival NHK Nadojiman 2011, considerado o melhor cantor amador do Japão; o Grupo Sansey, pentacampeão brasileiro de Yosakoi Soran, que inclusive se apresentou no maior festival mundial na província de Hokkaido, no Japão; Mity e sua equipe também criaram o estilo Matsuri Dance, que influenciado pelo bon odori jovem, atrai milhares de pessoas, descendentes de japoneses ou não, e de todas as idades, em festivais japoneses de todo Brasil; o Mity Production que criou o Londrina Matsuri, festival japonês que celebra a chegada da primavera e que hoje integra o calendário oficial de eventos da cidade, sendo realizado anualmente. Para Mity, que tem o jovem como foco de suas atividades, o reconhecimento de seu sucesso é fruto de um trabalho feito com paixão e vontade de contribuir de alguma forma dentro da sociedade. “As minhas escolhas sempre foram motivadas pelo o amor”, afirma. “Por isso consegui reunir uma equipe que sempre me ajudou a disseminar a cultura nipônica de forma saudável, respeitável e alegre tanto para os descendentes quanto para os não descendentes ” completa.
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