Yellow Power: a força nikkei na política paranaense
Qua, 22 de Junho de 2011 20:33    PDF Imprimir E-mail
Política

Atualmente a Câmara Municipal de Londrina conta com apenas dois representantes da comunidade japonesa. Mas esse número já foi bem maior. Entenda o porquê dessa diminuição, de acordo com pessoas que vivenciaram e outras que ainda fazem parte da política paranaense


                                                                                 Fernando Cremonez
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  Para o vereador Jairo Tamura, a diminuição de representantes políticos nikkeis se deve à maior integração

                                             
                   1806foto221                      “É importante ter representantes nikkeis na política”, afirma o ex-vereador Go Ogawa

Mayhara Nogueira

Hoje, os jovens descendentes de japoneses que olham o atual cenário político paranaense, nem imaginam a força nikkei que já existiu por essas terras.  Na década de 1970, enquanto o Japão desfrutava de uma economia ascendente, aqui no Brasil, especificamente no Paraná, os nikkeis comemoravam a reviravolta política nipo-brasileira, da qual chamaram de “Yellow Power” ( Força Amarela).

Para se ter uma ideia, foram eleitos, no ano de 1976,  13 prefeitos, 21 vice-prefeitos e dezenas de vereadores nikkeis em todo o Estado, segundo conta o ex-vereador Paulo Maeda. Enquanto Assaí elegia um prefeito e cinco vereadores, Londrina colocava à frente quatro: Homero Oguido, Paulo Takushi Maeda, Carlos Kita e Jorge Chiromatzo.  Sem contar os deputados.  Antonio Ueno vinha de três mandatos consecutivos como deputado federal. “Foi um período incrível, de muita união da comunidade, nunca vi algo assim”, conta Maeda.

O tradutor juramentado Miyoshi Egashira , que afirma ter acompanhado de perto a política da época, conta que a força nikkei não nasceu de uma hora para outra. Ele explica que em 1948, em Uraí, líderes da comunidade japonesa acreditavam que somente a educação e a cultura podiam garantir um bom futuro para seus descentes. “A maioria dos nikkeis eram lavradores, por isso não queriam o mesmo destino para os seus filhos”, conta Egashira.

Por isso fundaram a Liga Desportiva Norte-Paranaense, que tinha como objetivo preparar a juventude nikkei para  integrar e participar da comunidade brasileira. No decorrer dos anos, a Liga foi adquirindo destaque e influência dentro da colônia, formando e aproximando líderes. “A entidade promovia reuniões, das quais participavam representas de diversas cidades, que ajudavam a difundir as ideias da Liga”, conta. “Foi assim que conseguimos eleger tantos representantes nikkeis naquela época”, afirma o tradutor.

Para o ex-vereador Go Ogawa, a criação da União dos Gakusseis de Londrina, entidade ligada aos jovens da época, em 1961, também foi a mola propulsora da política nikkei. “De lá saíram, além de mim, também  Kakunem Kyosen, Paulo Maeda e Homero Oguido”, conta

Política atual -  Hoje em dia, o quadro é outro. Apesar de Londrina ter elegido dois vereadores (Jairo Tamura do PSB e  Roberto Kanashiro do PSDB) e o Paraná contar com quatro representantes nikkeis (deputado estadual  Teruo Kato, do  PMDB, os deputados federais Hidekazu Takayama, do PSC e Luiz Nishimori do PSDB e o Secretário de Planejamento do Estado, Cássio Tanigushi ), em relação à prefeitura das cidades parananenses, não chega a cinco o número de representantes. Será que a tendência é diminuir cada vez mais?

Para Jairo Tamura, a diminuição de líderes políticos nikkeis em Londrina e no resto do Estado, deve-se ao fato da integração dos descendentes dentro da sociedade brasileira.  “Não existe mais esse tipo de diferença,  nikkeis são brasileiros, fazemos parte da sociedade”, afirma o vereador.

Ogawa é mais pessimista. “A política não oferece mais aquele encanto e sentimento de mudança, a corrupção tomou conta”, afirma. “A imagem que o político oferece não arrasta mais ninguém aos cargos”, enfatiza.

Entretanto, para Ogawa, é importante a cidade e o estado conservar  representantes da comunidade nipo-brasileira dentro da política. “É uma referência e um orgulho para a nós”, afirma.