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Sáb, 24 de Julho de 2010 11:44    PDF Imprimir E-mail
Saúde

2407sono2Ronco provoca má qualidade do sono

Estudos apontam que 2% das mulheres e 4% dos homens, entre 30 e 60 anos, roncam, e desses, quase 60% têm apneia. Segundo especialistas, as principais causas do problema são a obesidade, uso de álcool, cigarro, desvio de septo ou alterações hormonais em mulheres. Uma noite mal dormida prejudica diretamente as atividades diárias.

Problemas com o ronco vão além do barulho

Estudos mostram que 2% das mulheres e 4% dos homens, entre 30 e 60 anos, roncam, e desses, quase 60% têm apneia

                                                                                  Divulgação
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A Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono é uma doença progressiva, multifatorial e crônica

Vivian Fukushima

De Londrina

João Abelardo Pigatto, 36 anos, tem uma vida aparentemente normal. É casado, tem dois filhos, trabalha durante o dia e nos momentos de folga gosta de ficar com a família. O problema aparece durante a noite, a hora em que o sono começa a aparecer. “Assim que durmo já começo a roncar, e por isso, minha mulher reclama bastante. Já chegou, inclusive, a ir dormir em outro quarto por estar incomodada”, diz. Assim como Pigatto, milhões de pessoas também sofrem desse problema cujas consequencias podem prejudicar a parte profissional, social e afetiva.

De acordo com o otorrinolaringologista e especialista em medicina do sono, Fábio Kitahara, a apneia do sono é a obstrução das vias aéreas durante o sono, pela flacidez dos tecidos da garganta, impedindo a respiração por alguns segundos, várias vezes por noite, e o ronco é a vibração dos tecidos da garganta quando o ar passa. Ele afirma também que o ronco pode ou não estar associado à apneia, porém, na maioria das vezes, a vibração é considerada um pré-estágio da obstrução, que pode ser considerada leve, moderada ou severa. “A Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono é uma doença progressiva, multifatorial e crônica. Quem ronca, deve sim, se preocupar e procurar um médico para verificar a causa do problema”, diz. O médico cita algumas possíveis causas da doença: “ A obesidade, uso de álcool, já que este causa o relaxamento dos músculos, cigarro, anatomia, como desvio de septo, por exemplo, e alterações hormonais em mulheres”. Outro fator, e esse considerado simples, é a posição de dormir: com a barriga para cima a pessoa tende a roncar mais.

De acordo com Kitahara, estudos mostram que 2% das mulheres e 4% dos homens, entre 30 e 60 anos, roncam, e desses, quase 60% têm apneia.  “A maioria das pessoas que roncam acham que estão super bem e que não têm problema algum”, diz.

Já que a Síndrome é uma doença multifatorial, os tratamentos são diversos. O especialista cita desde um objeto preso nas costas do paciente – para evitar que durma de barriga para cima-, até cirurgias para solucionar o problema.

Uma alternativa de tratamento bastante utilizada, desde que o diagnóstico esteja entre os casos leves e moderados, é o uso de um aparelho intraoral.

Segundo o ortodontista Maurício Sakurai, esse aparelho projeta a mandíbula para frente, e isso faz com que língua acompanhe esse movimento. Com isso, a passagem do ar é obstruída, impedindo a vibração dos tecidos da garganta. “ Na primeira semana o paciente já sente uma melhora. No entanto, o aparelho não trata o problema. Se parar de usar, o ronco volta a aparecer”, diz.

Sakurai afirma que há 20 anos não era dada tanta importância a essa área. Hoje, é comprovado que a má qualidade do sono prejudica a saúde. “O sono serve para repor as energias gastas durante o dia, por isso uma noite mal dormida causa sonolência, irritação e cansaço. A Medicina do Sono é uma área que está crescendo muito devido à demanda. As pessoas se preocupam cada vez mais com isso”, diz o ortodontista que alerta: “ Antes de qualquer tratamento é preciso procurar um médico especialista, que saberá recomendar a melhor maneira de resolver o problema”.

De acordo com Kitahara, apesar de acometer bastante gente, o paciente precisa encarar o ronco diário como uma doença, já que pode ser o início de algo mais grave. “Além das possíveis consequências de um sono de má qualidade, como obesidade, hipertensão, e diabetes, por exemplo, ronco prejudica também a parte profissional, social e afetiva do indivíduo”, diz.

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