O lado oculto do salmão
Ter, 31 de Janeiro de 2012 16:29    PDF Imprimir E-mail
Saúde

2801salmao-chComer o pescado de maneira indiscriminada parece ser coisa do passado. Especialistas revelam que o consumo do peixe, ao contrário do que se pensava, deve ser limitado. Nos últimos anos, o salmão foi alvo de pesquisas negativas, que apontam riscos à saúde, como câncer.






 

Salmão: mocinho ou vilão?

Que o peixe traz muitos benefícios para saúde todo mundo sabe. Porém, o pescado foi protagonista de diversas pesquisas e polêmicas negativas nos últimos anos que apontam riscos à saúde

Crédito: Fernando Cremonez
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Estudos apontam o salmão como um dos causadores do câncer

Mayhara Nogueira

Estrela da culinária japonesa e queridinho dos nutricionistas, o salmão sempre teve carta branca para o consumo, por conter ômega 3 e, consequentemente,  trazer diversos benefícios à saúde. Entretanto, nos últimos tempos, o pescado tem sido alvo de diversas pesquisas e polêmicas negativas, gerando questionamentos ao consumidor. Afinal, o peixe é mocinho ou vilão da história?

Segundo uma pesquisa coordenada pela State University, de Nova York, e publicada na revista Science, índices de contaminantes cancerígenos seria maior no salmão criado em cativeiro do que no salmão selvagem. No estudo realizado por cientistas americanos e canadenses, foram analisados filetes de 700 salmões de viveiros e salmões selvagens, procedentes de oito das maiores regiões produtoras da Europa e da América, comprados em comércios de várias cidades. As análises demonstraram que o salmão de criadouro procedente da Europa está, de maneira geral, mais contaminado do que o originado da América do Norte e da América do Sul.

O problema da carne do salmão de viveiro é decorrente de sua alimentação, considerada muito gordurosa, à base de farinha e azeite de peixe, o que provoca o armazenamento de substâncias tóxicas em seu tecido adiposo. Em compensação, o salmão selvagem se alimenta de organismos aquáticos, pequenos peixes e krill.

Os autores da pesquisa recomendam aos consumidores que diminuam a ingestão e exijam indicações claras nas etiquetas dos alimentos que permitam distinguir entre o salmão de criação e o selvagem , além de informar o país de origem do produto. No Brasil, grande parte do salmão consumido é oriundo do Chile

Para a nutricionista e professorada do curso de Nutrição da Unifil, Mirtz Nakamura, os alimentos gordurosos que o peixes acumulam em suas células,  impulsionam as enzimas hepáticas trabalharem com intensidade, causando alteração no fígado. “Câncer de fígado e da vesícula biliar é mais comum”, explica.  Além de problemas na pele, oculares, dores abdominais, tosse crônica, irregularidade na menstruação.

Quando não são os salmões de viveiro, são os silvestres. Recentemente, David Khayat,  oncologista frânces, ex-presidente do The French National Cancer Institute e autor do best-seller "A Verdadeira Dieta anticâncer”, afirma que o salmão selvagem, juntamente com outros tipos de peixe - atum vermelho, o siki, o halibute e o espada – é considerado cancerígeno. Segundo o médico, o motivo deve-se às altas concentrações de metais pesados como arsênio, chumbo e mercúrio nas águas marinhas.

O mercúrio, de acordo com a nutricionista,  se acumula em todos os tecidos do organismo, chegando até mesmo a atravessar a parede celular. "As gestantes  devem evitá-lo, já que esse metal é capaz de atravessar a placenta", alerta Mirtz.

O chumbo, por sua vez, gosta de se alojar nos ossos. "Ele compete com o cálcio e pode danificar o esqueleto”, acrescenta. Já o arsênio é capaz de provocar tumores e tem sido associado a danos no fígado.

Entretanto, segundo a especialista, não há razão para entrar em pânico. “Não é preciso eliminar de vez toda a turma marinha do cardápio.” A dica, que vale para tudo o que diz respeito à alimentação, é simplesmente não exagerar. “Que tal fazer uma rotatividade dos alimentos consumidos? Tente consumir outros peixes, ou até mesmo filé de boi ou de frango”, aconselha.

Cuidado com o calor – A má conservação dos alimentos, aliada às altas temperaturas do verão, é uma combinação perigosa para quem decide comer peixe cru.  Há alguns anos, uma doença chamada difilobotríase assustou os consumidores do prato japonês. Por causa dele, dezenas de pessoas foram parar no hospital com diarréia e enjôo. O parasita, chamado Diphyllobothrium, é um tipo de tênia típico de peixes. “Se decidir comer um sashimi, verifique a procedência do pescado e certifique se o peixe é realmente fresco”, explica.