Os medicamentos à base de plantas podem trazer vários benefícios à saúde como alívio de sintomas e tratamento de doenças. No entanto, é preciso ter cuidados especiais na hora de escolher um chá fitoterápico.
O poder e os perigos dos chás
Com a fitoterapia é possível extrair uma série de benefícios para auxiliar no tratamento de doenças. No entanto, é preciso ter cuidado na hora de introduzir a bebida em sua rotina
Fotos: Fernando Cremonez e Walkiria Vieira

Os medicamentos à base de plantas são usados para os mais diferentes fins: acalmar, cicatrizar, expectorar, emagrecer e muitos outros.

Utilize as plantas medicinais apenas com orientação médica
Mayhara Nogueira
Uma boa xícara de chá traz diversas sensações de prazer e bem–estar. Além disso, combinado à fitoterapia (tratamento de doenças por meio de plantas) a bebida também pode ser benéfica para saúde. O uso adequado dessas preparações ajuda em tratamentos de muitas doenças: alérgicas, depressão, pedra no rim, infecções, entre outras. No entanto, da mesma forma que o chá pode vir a ser uma solução milagrosa, também pode acarretar vários problemas à saúde se não houver um acompanhamento adequado.
O uso das plantas como remédio é provavelmente tão antigo quanto a própria humanidade, explica a terapeuta corporal Marisser Bonocielli. “Os medicamentos à base de plantas são usados para os mais diferentes fins: acalmar, cicatrizar, expectorar, emagrecer e muitos outros.”, afirma.
O chá de Camomila, por exemplo, segundo a farmacêutica Edna Sayuri Suyenaga, que é mestre e doutora em ciências farmacêuticas, professora das faculdades Feevale e Unisinos, do Rio Grande do Sul, é ótimo para digestão. “Já o chá de Boldo do Chile tem propriedades que auxiliam no tratamento de doenças do fígado”, cometa.
Há dois anos, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), regulamentou a produção e a venda de medicamentos fitoterápicos e disponibilizou uma lista de aproximadamente 70 plantas medicinais, estabelecendo o modo de usar cada uma delas, para o que servem e possíveis efeitos colaterais.
O informativo da ANVISA diz que o Chá de quebra-pedra, por exemplo, é ideal para auxiliar na eliminação de cálculos renais. Entretanto, pode ser usado apenas três vezes ao dia, e nunca deve ser utilizado por mais de três semanas.
A folha de alcachofra e a semente de girassol reduzem os níveis do mau colesterol no sangue. Já a laranja-amarga combate ansiedade e insônia, funcionando como um calmante suave. Porém, deve ser usado, rigorosamente, no máximo, duas xícara antes de dormir e não deve ser consumido por pessoas portadoras de distúrbios cardíacos.
Cuidados - De acordo com a crença popular, as plantas não fazem mal, porém, a farmacêutica Edna Sayuri Suyenaga desmistifica. “O que difere um medicamento de um veneno, muitas vezes é a dose”, aponta a especialista que explica. “A população deve-se ater na hora de consumir o produto, pois cada planta tem a quantidade recomendada para consumo, e o excesso também traz malefícios à saúde”, conta.
Outro alerta é para o modismo. “A planta da vez é a babosa, e muita gente consome o seu chá para tratar doenças, contudo ela possui alta toxicidade”, afirma. “A babosa, pela Anvisa, é recomendada somente para o uso externo, como cicatrizante”, comenta.
A população deve ficar alerta também com plantas milagrosas, como por exemplo, a Confrei, explica a especialista. “Antigamente diziam que essa planta curava tudo, e a população utilizava até mesmo como chá. Entretanto, ela possui um grupo de substâncias cancerígenas, e também só pode ser utilizada para o uso externo”, explica. “Por isso, cada planta tem a sua função específica”, completa a especialista.
Plantar, colher ou comprar? – Edna recomenda que a melhor solução é comprar, mas faz ressalvas. “Na embalagem deve conter o número do lote, nome cientifico da planta, data de validade, identificação do farmacêutico”, comenta. “E ao consumir, verifique se não existe a presença de insetos, pois podem contaminar o produto”, completa a farmacêutica que aconselha a população não colher folhas de beira de estrada e nem cultiva plantas medicinais em casa. “Na estrada as plantas podem estar contaminadas com a poluição e metais pesados, já as plantas cultivadas em casa, podem não conseguir o adquirir o mesmo principio ativo necessário para que ela exerça a sua função”, conta.
Atenção – A farmacêutica lembra que os fitoterápicos são complementares, por isso é importante saber que ninguém pode substituir um tratamento de doença grave por um fitoterápico. “Utilize as plantas medicinais apenas com orientação médica”, orienta.
Adeus ansiedade – A aposentada Maria Nair Damaceno Ramirez apresentava quadros de ansiedade e insônia há mais de um ano, entretanto relutava em procurar um médico. “Tinha medo que me receitassem remédios que pudessem surtir algum efeito colateral, como sonolência”, afirma. Aconselhada por amigos, procurou tratamento natural. “Me receitaram chás a base de capim cidreira, além de algumas mudanças de hábito – como caminhada - mas no começo eu tomava sem acreditar.” Então veio a resposta. Depois de duas semanas, a aposentada sentiu os resultados. “Comecei a dormir bem melhor e viver mais tranquila.”
De olho na dica:
A terapeuta corporal Marisser Bonicielli comenta sobre alguns cuidados no momento do preparo da plantas para o chá. Folhas mais sensíveis, geralmente, as mais aromatizadas, como hortelã, erva cidreira e camomila perdem princípio ativo com a fervura. “O ideal é fazer uma infusão”. Já as plantas mais grosseiras como canela, cravo, chá mate, precisam da fervura para extrair o princípio ativo.
Para aproveitar o chá e o que ele tem de melhor, vale a pena seguir umas regrinhas na hora do preparo. A terapeuta explica que o ideal é utilizar o melhor chá de que você possa dispor.
Em seguida encha a chaleira com água fria; água quente ou reaquecida contém menos ar dissolvido e tem sabor envelhecido. Ela explica que é essencial aquecer o bule, enxaguando-o com água quente. “Isso garante que a água permaneça fervente quando entrar em contato com o chá.”
Então, adicione uma colher de chá ou um saquinho por pessoa - a proporção correta é uma colher de chá para 185 ml de água. Quando a água estiver fervendo, despeje-a no bule. Recoloque a tampa e deixe o chá em infusão por 3 e 5 minutos (dependendo do tipo de chá, há uma variação), conforme o tamanho das folhas. “Folhas grandes levam mais tempo para fazer o chá do que as pequenas”, comenta a terapeuta que lembra. “Os chás liberam a cor antes do sabor, por isso não tenha pressa.”
Sirva o chá quando estiver recém-feito. “Senão, a bebida terá sabor ´cozida` se for deixada no bule por mais de dez minutos.” Por último, cubra o bule com um abafador, o que faz acelerar ainda mais o processo de cozimento. Para evitar o chá cozido, tire as folhas da água.