| No cenário econômico atual, observarmos o discurso de muitas autoridades estimulando o consumo das famílias, sob a alegação (válida, diga-se de passagem) de que se a população se apavorar e deixar de consumir, a tendência da crise será de agravamento. E citam o chamado “Paradoxo da Frugalidade” do economista inglês John Maynard Keynes, de maneira bastante oportuna. Diz ele que se as pessoas optarem por minimizar o consumo com medo da recessão haverá maiores chances desta recessão se concretizar. De fato, a opção entre consumir e poupar é a decisão-chave do sucesso financeiro. Chamo atenção para a seguinte questão: a insegurança pessoal exacerbada nos momentos de crise. Se as empresas estão sofrendo com a retração nas vendas, a escassez do crédito e postergam novos investimentos, conseqüentemente as pessoas sofrem ainda mais com a sensação generalizada de insegurança que contagia todo o mercado. Neste cenário, não há clima para consumo, pois o medo vigora. Entendo que o equilíbrio deve imperar tanto na crise quanto na fartura. E isto não mudou com o atual momento econômico mundial. O consumo deve ser pautado pela necessidade e pelo desejo equilibrado, como sempre foi. E as medidas de precaução quanto ao futuro, tão importantes nos momentos de tranqüilidade, devem ser mantidas também nos momentos de dificuldade. Sem exageros. Não há motivos para acreditar que a economia colapsará em poucos meses. Não há motivos para reações impensadas quanto a investimentos em ações, fundos ou outros ativos. Assim como também não há motivos para consumo supérfluos ou desnecessários. Obviamente, as excentricidades nestas circunstâncias são ainda menos bem-vindas. Os que se prepararam nos momentos de fartura devem continuar com a mesma estratégia defensiva perante a crise. E esta estratégia pode ser resumida em uma única palavra: poupança. Não existe segurança financeira se não há alguma margem para imprevistos. Esta regra de ouro vale para os bons e maus momentos. Neste sentido, nada mudou. *Carlos Nakao é mestre em economia pela PUC-SP, pós-graduado em administração pela FGV-SP e engenheiro pela POLI-USP. Executivo financeiro com experiência em empresas como Banco Itaú, Biosintética Farmacêutica e Zamprogna. Profissional certificado pela SERASA e pela ANBID. Comentarista econômico da rádio Transamérica e do jornal Paraná Shimbun. Sócio fundador da Central de Ensino, escola especializada em cursos ANPAD e ANPEC.
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