Recentemente temos acompanhado de perto a deterioração do sistema financeiro mundial, liderada principalmente pelas instituições financeiras americanas. Hoje, é consenso que esta crise não se limitará aos Estados Unidos, até mesmo pela relevância e influência deste país na economia mundial. A questão é: quando e com que intensidade esta crise chegará ao Brasil? E o brasileiro comum, como pode se proteger dos seus impactos? Quanto a estas questões, a resposta é simples e direta: a crise já chegou ao Brasil, e de forma bastante intensa. O primeiro efeito diz respeito ao crédito, que se reduziu e encareceu abruptamente. Como o crédito é a alavanca do crescimento, temos motivos para acreditar que a atividade econômica também sofrerá impactos significativos. Neste cenário o brasileiro comum sofrerá efeitos diversos em suas finanças pessoais, principalmente no que tange ao consumo, ao emprego e a renda. Não existe a possibilidade de uma crise destas proporções não atingir as finanças de todos. As recomendações aos cidadãos comuns são muito similares às providências tomadas pelas empresas financeiramente bem geridas. Em primeiro lugar, preservar a liquidez, ou seja, valorizar o dinheiro em caixa. Como regra, procure manter uma reserva de emergência em aplicações de baixo risco e liquidez imediata (tais como poupança, fundos de renda fixa que investem em títulos públicos federais ou CDB’s de bancos de primeiríssima linha). Esta reserva deve somar pelo menos seis meses de suas despesas mensais familiares. Em segundo lugar, evitar ao máximo contrair novas dívidas. Isto significa cortar despesas menos prioritárias, prorrogar gastos não emergenciais, evitar custos desnecessários. As férias podem ser postergadas. A troca do carro, também. Em um cenário nebuloso como o atual, não se pode considerar como certa uma receita futura (ainda que seja o salário ou uma renda de aluguel). Portanto, melhor não assumir dívidas. A crise financeira atual vem demonstrando, a cada dia, quanto é intensa e grave. Conservadorismo na gestão financeira familiar, mais do que nunca, deve ser considerada a regra de ouro. *Carlos Nakao é mestre em economia pela PUC-SP, pós-graduado em administração pela FGV-SP e engenheiro pela POLI-USP. Executivo financeiro com experiência em empresas como Banco Itaú, Biosintética Farmacêutica e Zamprogna. Profissional certificado pela SERASA e pela ANBID. Comentarista econômico da rádio Transamérica e do jornal Paraná Shimbun. Sócio fundador da Central de Ensino, escola especializada em cursos ANPAD e ANPEC.
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