Recentemente assisti a hilária comédia “As Loucuras de Dick e Jane” (Fun with Dick and Jane), que além de divertida, traz boas e atuais lições aos espectadores mais atentos. No filme, Jim Carrey e Tea Leoni formam um casal de classe média que mantém um elevado padrão de consumo (e ostentação) superior a sua real capacidade financeira. Tudo vai muito bem até que Carrey é promovido à vice-presidente de comunicação da corporação onde trabalha. Mal sabia ele que Alec Baldwin, o presidente e sócio majoritário da companhia, estava articulando um duro golpe contra o mercado de capitais. Quando esta fraude vem à tona, Carrey tem sua carreira destruída e vê a vida financeira de sua família se deteriorar rapidamente. As melhores lições do filme ficam por conta dos incríveis (e extremamente comuns) erros cometidos pelo casal na gestão financeira familiar, principalmente durante o período de sucesso profissional de Carrey. Erros que só se evidenciam após a fraude na companhia. Leoni abandona o emprego imediatamente após a promoção do marido a vice-presidente. As reservas financeiras da família estavam concentradas em ações da própria companhia. Grande parte do patrimônio estava imobilizada na residência, luxuosa e totalmente equipada com supérfluos. O quadro perfeito para a catástrofe que se sucede. Com a quebra da empresa, as ações perdem totalmente o valor. A casa, que não estava totalmente quitada, teve sua hipoteca executada. Não existe a renda do cônjuge, já que Leoni simplesmente abandonou a carreira para usufruir a confortável posição de “mulher do vice-presidente”. Não há nenhuma reserva financeira para emergências. No desespero, todos os eletrodomésticos, móveis, carros, são vendidos a preço vil. Para manter o padrão de vida elevado, o casal, em pânico, opta por roubar. Todo o filme muito engraçado, como qualquer comédia estrelada por Jim Carrey. E recheado de exemplos de erros grotescos que nenhuma família deveria cometer ao tratar do patrimônio, da carreira profissional e da segurança financeira. Vale pelas risadas e pelos contra-exemplos. Recomendo. *Carlos Nakao é mestre em economia pela PUC-SP, pós-graduado em administração pela FGV-SP e engenheiro pela POLI-USP. Executivo financeiro com experiência em empresas como Banco Itaú, Biosintética Farmacêutica e Zamprogna. Profissional certificado pela SERASA e pela ANBID. Comentarista econômico da rádio Transamérica e do jornal Paraná Shimbun. Sócio fundador da Central de Ensino, escola especializada em cursos ANPAD e ANPEC.
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