Exercício ao Desapego
Sáb, 05 de Dezembro de 2009 08:02    PDF Imprimir E-mail
Colunista - Daniela Leluddak
O desapego é um exercício proclamado por muitos.
Os budistas o definem como renúncia e, mais profundamente, classificando-o como: a determinação de ser livre.
Exercitar o desapego a alguns bem materiais, que não sejam os livros, tenho eu também praticado e muito.
Todavia um exercício que tenho percebido e questionado e o desapego de muitos com relação a própria liberdade.
A liberdade de ir e vir, de andar nas ruas, de acreditar no próximo e até em considerá-lo.
Muitos podem estar exercitando o apego à passividade e ao conformismo.
Estou levando, você caro leitor, a questionar-se sobre seus direitos sendo um deles a da própria liberdade que consta, inclusive, na nossa Constituição Federal.
Estamos diante de uma onda de violência que já se iniciou há muito tempo e que tem tomado proporções alarmantes.
Em uma cidade vizinha de Londrina, Cambé, a violência está gritante. Pessoas alarmadas estão se enclausurando e exercitando o que proclamo como o desapego a liberdade.
 “Não tem mais jeito”; “é isso mesmo”; “nem adianta dar queixa, não vai funcionar mesmo”; “temos é que nos acostumar”. Frases como essas são o mais puro conformismo e que, no meu ponto de vista, têm aumentado o status quo no campo, nas pequenas e grandes cidades.
Qual a sua opinião sobre isso?
Você é da turma do conformismo e da indiferença ou é um cidadão de fato que tem o direito de voto, da indignação e da palavra?
Exercite o desapego aos aerossóis, ao excesso de açúcar, ao álcool e às drogas. No entanto, não ignore o seu direito a segurança, saúde, dignidade e respeito.
Há cerca de 30 dias, no centro de Curitiba, um senhor de 68 anos estava à pé, esperando a abertura do semáforo para cruzar a rua, quando, em plena luz do dia, recebeu uma coronhada de um revólver e caiu desacordado no chão, tomando consciência alguns minutos depois.
A situação da violência neste caso foi explícita e bem ativa pelo marginal que o atacou pelas costas.
No entanto, ao ser indagado pela família, o que relatou como a mais terrível agressão foi a passividade dos transeuntes na rua que sequer o ajudaram a levantar.
Por sorte, este cidadão, mesmo sangrando, teve condições de levantar e procurar ajuda em um estabelecimento comercial.
Caro leitor, qual a diferenciação do marginal e das pessoas que passavam pelo local e não ajudaram este senhor? Várias são as diferenças. Você pode responder isto. Mas para mim não existe diferença alguma.
Se nos acostumarmos a isto, seremos os co-responsáveis pela marginalidade, desrespeito, insegurança e falta de liberdade.
Exerça seus direitos!
Tome consciência que a agressão pode lhe colocar como vítima amanhã, bem como as pessoas que o cercam.
Seja protagonista, exerça seus direitos e não se cale frente à indignidade que tem tomado corpo.
Delate!
Boa semana a todos e com o direito a liberdade.

Daniela Leluddak – é Palestrante, Consultora, Coach e Orientadora de Carreiras. É uma estudiosa da Filosofia do Sr. Kazuo Inamori -  Seiwajiuku e a utiliza como um dos pilares em seu trabalho.  É sócia-diretora da Caddan - Educação Empresarial (www.caddan.com.br) e presidente da Caddan Brasil (www.caddanbrasil.org.br) uma organização civil de interesse público.