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Excesso de chuva atrapalha colheita de morango
Sáb, 08 de Agosto de 2009 12:20    PDF Imprimir E-mail
Agronegócios

Morango é uma das frutas mais populares que existem. Sozinha, Londrina consome quase 300 toneladas/mês. Produtores da região não conseguem atender, sozinhos, a demanda. A situação, que poderia ser cômoda para os produtores, foi agravada pelo tempo úmido

 

 

 



Chuva atrapalha colheita do morango

Produtores da região não conseguem atender, sozinhos, a demanda de Londrina. Situação foi agravada pelo tempo úmido 

                                                                                                              Mayhara Nogueira

Carlos Kaniji e sua plantação de morangos: “É preciso colher dois quilos de morango por pé, para se obter lucro” 

Mayhara Nogueira
Especial para Paraná Shimbun

 
Trabalhando como agricultor há 40 anos, Carlos Kaniji fatura aproximadamente R$ 100 mil por ano só com a produção de morangos. Kaniji é um dos 25 produtores que trabalham com o fruto em Londrina e afirma que a produção ainda é insuficiente para demanda local. O pequeno produtor produz cerca de 20 toneladas do fruto, divididos em duas variedades, em 12 mil pés. O problema é que, este ano, por causa da chuva, teme não faturar tanto quanto aos anos anteriores. A cultura do morango precisa de frio e tempo seco. A chuva traz pragas.
 
Embora afirme que seja uma cultura de alto investimento e de alguns riscos, Kaniji demonstra que ainda vale pena continuar no setor, que foi herdado de seu pai. “É um mercado bom, com venda garantida”, diz. Segundo o produtor o que mais pesa no bolso é o investimento que antecede o plantio. “O que se gasta mais é preparo do solo, comprar os adubos e as mudas. Eu e mais alguns produtores locais, todos os anos, buscamos mudas em São Paulo, o que encarece o processo”, explica.
 
A área de cinco mil m² abriga fileiras de mais de 50 metros de  largura de plantio. Os canteiros possuem 1,20m de largura por 40 centímetros de altura. Kaniji planta duas variedades: o morango Camerosa -  um tipo mais doce para consumo in natura - e Caminho real – morango mais ácido, para sucos e geléias. Os cuidados químicos do plantio são feitos pela adubação foliar, semanalmente. A irrigação fica por conta da técnica de gotejamento: a água passa por debaixo do plástico que protege o fruto, cujo material serve para a prevenção de ervas daninhas e que também evita sujeira na fruta.
 
O amargo do plantio – Com a chuvarada, até mesmo as folhas estão ameaçadas. De acordo com o produtor, o plantio do morango só é possível em regiões frias e secas. No entanto, nesse inverno, Londrina sofreu com um longo período de umidade. Kaniji explica que é necessário retirar mais de dois quilos da fruta por pé para se obter lucro, mas se não parar de chover não será possível colher. “Este inverno prejudicou bastante. Está faltando morango na região. O fruto em si não se desenvolve e, por causa da umidade, começa a surgir algumas doenças nas flores”, conta, e acrescenta: “Quem vive só do morango terá prejuízo”, diz. 
 
A chuva em excesso causa o que os especialistas chamam de flor preta. A doença produz uma mancha negra nas folhas do pé de morango. “Uma vez que surge a flor preta, não tem jeito. Tem que erradicar as plantas, senão contaminará todas as outras”, diz Kaniji.
 
O produtor planta também outras 12 variedades de hortifrutis – gengibre, brócolis, alface, entre outros – e busca alternativas para proteger a plantação da umidade. “Alguns pequenos produtores do Estado estão se aperfeiçoando com a técnica de estufa localizada, já muito utilizada no Rio Grande Sul”, explica. Ele, que já possui um investimento de R$ 20 mil ao ano para o plantio, vai agregar mais R$5 mil em material para proteção da chuva.
 
Importação – Segundo o diretor da Secretaria Municipal da Agricultura e Abastecimento, Jéferson Costa Hernandez, Londrina possui 15 produtores de morango cadastrados e 10 hectares de plantio do fruto. Mesmo assim, o município tem que importar a fruta. “Londrina importa morango de várias cidades do Estado e até mesmo de fora”, comenta o diretor.

Segundo Luiz Alberto Sovierzoski, do setor técnico de estatística do Ceasa de Londrina, o mês passado foram contabilizados 271 toneladas de morangos vindos de seis cidades do Paraná – Guapirama, Ibaíti, Jaboti, Pinhalão, Piraí do Sul e Rosário do Ivaí. A cidade também importa morangos de Minas Gerais. Só o mês passado foram 27 toneladas, das cidades de Estiva e Bom Repouso. O Ceasa de Londrina também recebe o fruto de São Paulo e Santa Catarina. “Apesar da umidade, o mês de julho teve um bom percentual de importação”, comenta.

Feira do Morango - Na próxima quarta feira, 12 de agosto, a Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento de Londrina irá se reunir com os produtores para a organização da Feira de Morango que acontece todos os anos na cidade.